Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Aécio rejeita tese de impeachment de Dilma, mas promete liderar oposição

Ao retornar ao Senado, tucano diz não ser 'golpista' e que não há dúvida sobre a 'lisura' do processo eleitoral; afirma, porém, que campanha da presidente não legitima proposta de diálogo

Débora Bergamasco, Isadora Peron e Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2014 | 16h17

Atualizado em 05.11

Brasília - Ao reaparecer publicamente nesta terça-feira, 4, após a derrota para a petista Dilma Rousseff no 2.º turno da eleição presidencial, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) disse que não é um “golpista” e que não vê motivos para que seja pedido o impeachment da presidente reeleita, em resposta a manifestações realizadas no fim de semana em cidades como São Paulo e Brasília e nas redes sociais. Em sua volta ao Senado após a disputa eleitoral, o tucano disse que a campanha do PT não chancela a proposta de diálogo defendida por Dilma.

“Eu não sou golpista, sou filho da democracia, talvez o primeiro candidato viável após a geração de 64”, disse Aécio, referindo-se ao ano de início da ditadura militar. Em paralelo, o tucano classificou como “legítimo” o pedido de auditoria na votação do 2.º turno feito à Justiça Eleitoral pelo PSDB. Na noite de terça, o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou a organização de uma auditoria pela própria corte no sistema de apuração e totalização do 2.º turno das eleições.

Aécio procurou afastar essa medida de qualquer ideia de ruptura ou desconfiança sobre o processo eleitoral. “A ação no TSE foi legítima, em busca da tranquilidade. Não acho que exista fato específico que leve a impeachment”, afirmou Aécio. “Essas manifestações que se misturam tem o nosso repúdio mais veemente. Estamos aqui eleitos pelo voto popular. É com essa força do voto popular que vamos exercer o nosso papel.”

A petição apresentada pelo PSDB já havia sido bombardeada pelo PT e criticada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha. Para Aécio – que é presidente nacional do PSDB –, “não há dúvida em relação à lisura (do processo eleitoral)”. “O resultado está aí. Fui o primeiro a ligar para a presidente (Dilma para cumprimentá-la pela vitória).”

O senador tucano fez de sua volta a Brasília um ato político. Ele retornou ao Congresso afirmando que vai “assumir o papel de líder da oposição”. Pelas redes sociais, o PSDB convocou militantes para dar “as boas-vindas” a Aécio. Havia no local cerca de 600 pessoas – a maioria de servidores das duas Casas.

Nesta quarta, o senador fará um discurso na tribuna da Casa. Em sua fala, dirá que não vai deixar as denúncias contra a Petrobrás arrefecerem. E que, no ano que vem, no primeiro dia de trabalho do Legislativo, vai cobrar a criação e a instalação de uma nova CPI mista para continuar investigando denúncias de corrupção na estatal.

‘Exército’. “Somos hoje um grande exército a favor do Brasil e prontos para fazer a oposição que a opinião pública determinou que fizéssemos”, disse o tucano, que voltou a criticar a presidente Dilma: “O governo da presidente Dilma venceu as eleições perdendo e eu a Marina Silva (PSB) perdemos vencendo”.

Aécio foi cético ao se referir às declarações de Dilma que após a reeleição propôs diálogo e condenou a ideia de 3º turno. A presidente, em entrevista admitiu que poderia convidar o para conversas o tucano e Marina.

“Esse governo, pela forma como agiu na campanha eleitoral, de uma forma absolutamente desrespeitosa e absolutamente temerária em relação aos beneficiários de programas sociais que estiveram permanentemente ameaçados de perder os benefícios se nós vencêssemos as eleições, não os legitimam para uma proposta de diálogo.” Aécio disse que não se sente derrotado e prometeu “ser a oposição sem adjetivos”. “Chego hoje ao Congresso Nacional para exercer o papel que me foi delegado por grande maioria da população brasileira, por 51 milhões de brasileiros. Se quiserem dialogar, apresentem propostas que interessem aos brasileiros. No mais, vamos cobrar explicações e eficiência.”

 

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