Aécio rechaça ligação com quebra de sigilo de tucanos

Assessoria alegou que prática de quebra de sigilo nunca fez parte da trajetória política do senador

EDUARDO KATTAH, Agência Estado

20 de outubro de 2010 | 17h38

O ex-governador e senador eleito por Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) rechaçou hoje, por meio de sua assessoria, qualquer ligação com o episódio da quebra do sigilo fiscal de pessoas vinculadas ao candidato à Presidência José Serra (PSDB). A assessoria alegou que o ex-governador não tem qualquer relação com o episódio e a prática de quebra de sigilo nunca fez parte de sua trajetória política, "em mais de 20 anos de vida pública".

Em depoimento à Polícia Federal (PF), o jornalista Amaury Ribeiro Jr. admitiu que encomendou a quebra dos sigilos fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, da filha de Serra, Verônica, do genro dele, Alexandre Bourgeois, e de outros tucanos entre setembro e outubro de 2009.

Os dados seriam usados por Amaury, que na época trabalhava para o jornal Estado de Minas, em uma apuração deflagrada quando Aécio e o ex-governador de São Paulo ainda disputavam no partido a indicação como presidenciável tucano.

Acompanhado do governador reeleito Antonio Anastasia (PSDB) e do senador eleito Itamar Franco (PPS), Aécio participou de um encontro com prefeitos e lideranças políticas em Juiz de Fora (MG), onde pediu votos para Serra.

No início de junho, durante viagem a Montes Claros (MG) - ao lado de Serra -, Aécio reagiu com irritação às primeiras especulações de que o material contra o correligionário teria origem na disputa interna do PSDB. "Eu exijo respeito. A minha trajetória política é conhecida. E nós sabemos onde estão os aloprados, até endereço têm", disse ele, se referindo ao QG da campanha de Dilma Rousseff (PT) em Brasília.

"É um movimento subterrâneo tão estranho à nossa prática política, um exercício que não tem nenhum conteúdo de verdade", afirmou o presidente do PSDB-MG, deputado federal Narcio Rodrigues. Segundo ele, a postulação de Aécio no partido não "era contra Serra". "É muito assustador que essas coisas sejam levantadas como se tivessem alguma procedência."

Narcio, contudo, não descartou a possibilidade de uma "origem mineira" do episódio, mas reiterou que o diretório estadual do PSDB e o ex-governador não têm nenhuma relação com os fatos.

Projeto político

Hoje, durante a visita à cidade da zona da mata, Aécio disse que a eventual vitória de Serra "fortalece sim o projeto político de Minas Gerais", em referência a uma futura candidatura presidencial. Questionado se esse projeto ficaria mais fácil com a eleição do presidenciável tucano, o ex-governador respondeu que não faz "política pensando no degrau seguinte".

Mas completou: "O que eu posso dizer é que espero que o Serra seja vitorioso. Para Minas isso será muito melhor. Qualquer que seja o resultado da eleição, no Senado, Itamar, eu, ao lado de Anastasia, vamos trabalhar muito para o fortalecimento da posição política de Minas. Mas respondendo objetivamente: a eleição de Serra fortalece sim o projeto político de Minas Gerais."

Para o presidente do PSDB, trata-se de uma "miopia" a interpretação de que a vitória de Serra na votação de 31 de outubro seria prejudicial às pretensões de Aécio. "Não temos essa visão xenófoba e babaca", disse Narcio. "O Aécio entrou na fila se o Serra ganhar a eleição ou se o Serra não ganhar a eleição."

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