Aécio quer saber quanto gasta a Câmara

Um mês depois deter assumido a presidência da Câmara, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) determinou arealização de um levantamento nos gastos de R$ 1,5 bilhão anuais da Casa. Uma dasprimeiras medidas adotadas por Aécio Neves foi a suspensão da maioria dos processosde licitação em andamento e uma análise minuciosa nos contratos feitos entre empresascom a Câmara.O tucano pretende reduzir algumas despesas da Câmara e aplicar aeconomia na melhoria das condições de trabalho dos deputados. ?Está sendo feito um levantamento profundo nas despesas da Câmara com o objetivo dese fazer um uso mais adequado dos recursos?, explicou ontem Aécio Neves. ?A idéia écancelar algumas despesas para dar uma utilização mais devida e impedir desperdíciosno orçamento?, sustentou o presidente da Câmara, sem adiantar, no entanto, em que setores asverbas poderão ser melhor aplicadas.Aécio informou ainda que as licitações emandamento foram suspensas, sendo mantidas apenas aquelas em áreas consideradasprioritárias, como a compra de material de escritório.Segundo Aécio Neves, o levantamento nos gastos da Câmara está sendo feito pelodiretor-geral, Aldemar Sabino, que é o responsável pela administração e pelo cofre daCasa há 18 anos.Mas, apesar de tentar mostrar que Sabino continua prestigiado, opresidente da Câmara nomeou nesta quarta-feira o funcionário Salvador Roque Batista Júniorcomo secretário de Controle Interno para analisar detalhadamente as contas e asdespesas da Casa. Aécio espera ter uma radiografia completa de onde são gastos osrecursos da Câmara dentro de 30 dias.?Vamos dar a maior transparência possível às despesas da Câmara?, observou. A amigos,o presidente da Câmara confidenciou que considera o Orçamento de R$ 1,5 bilhão alto,se comparado ao de alguns Estados brasileiros.Aécio estaria propenso, inclusive, atirar das mãos do diretor-geral a administração de tão vultosos recursos. Uma dashipóteses é que as verbas passem a ser administradas pelo próprio presidente daCâmara.Para reduzir os gastos, Aécio Neves cogita inclusive extinguir cargos em comissãona estrutura da Casa. ?Pode haver economia de despesas com a redução de horas-extras,de obras e de número de impressos, por exemplo?, disse Aldemar Sabino.Segundo ele, amaior parte do Orçamento da Câmara é utilizado para o pagamento de pessoal.?Do R$ 1,5 bilhão, R$ 1,2 bilhão vai para pagar os funcionários, e o restante é paracusteio e investimento?, afirmou.Ao garantir que está trabalhando normalmente, apesar dos boatos de que deixará adiretoria-geral, Sabino reconheceu nesta quinta-feira que esta é a primeira vez, em 18 anos, queum presidente da Câmara lhe solicita um levantamento tão detalhado apontando onde sãogastos os recursos de R$ 1,5 bilhão.?Realmente é a primeira vez que um presidente sepreocupa em conhecer com tantos detalhes o orçamento da Câmara?, admitiu Sabino.

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