Aécio quer pacto com PFL para cumprir votações

O presidente da Câmara, Aécio Neves, disse hoje que sem a participação do PFL é muito difícil aprovar a prorrogação da CPMF. Ele informou que vai procurar o líder do partido na Câmara, Inocêncio Oliveira, para tentar estabelecer um "pacto" para que a agenda legislativa não seja prejudicada com as disputas políticas e eleitorais que vão se intensificar a partir de agora, por ser um ano eleitoral. "Não acho boa essa posição do PFL", disse Aécio, referindo-se à decisão do partido de não votar nada até quinta-feira, quando a executiva nacional se reunirá para assumir uma posição em relação ao governo.Segundo Neves, a não votação do segundo turno da CPMF, amanhã, vai comprometer a arrecadação uma vez que os prazos já estão muito limitados. "Temos que fazer um grande pacto para que as questões regionais e a disputa eleitoral não interfiram no Congresso. A questão da CPMF e outras matérias em tramitação deixaram de ser de interesse apenas do governo, mas de todo o país", afirmou o presidente da Câmara, que continuará insistindo para colocar a CPMF na pauta de amanhã.Ele admitiu, no entanto, que se o PFL continuar intransigente terá de esperar até quinta-feira, dia de quórum baixo no Congresso. A prorrogação da CPMF depende de quórum qualificado por ser emenda constitucional, exigindo o apoio de 308 deputados. No início desta tarde, Aécio recebeu um telefonema de Inocêncio Oliveira, informando que a situação, no partido, está muito difícil.Prejuízo na CPMFO ministro-chefe de Secretaria Geral da Presidência da República, Arthur Virgílio, afirmou que está surpreso com a decisão do PFL de suspender a votação da proposta de emenda constitucional que prorroga a CPMF, até a reunião da executiva do partido, marcada para quinta-feira. "Perder uma semana será muito grave", disse Virgílio, que fez um apelo ao partido para que reconsidere a decisão de não participar de nenhuma votação até quinta."Será muito difícil evitar um prejuízo", avaliou o ministro. Ele afirmou que vai fazer um contato com a governadora Roseana Sarney e com as lideranças do PFL para tentar reverter a decisão. "É um equívoco político, e por isso a decisão deve ser repensada", afirmou. Quanto à crítica do líder pefelista, Inocêncio Oliveira, de que o governo não deu nenhuma explicação convincente ao partido sobre o episódio no escritório de uma empresa da governadora Roseana, no Maranhão, Arthur Virgílio sustentou que a Polícia Federal tem atuado independentemente de estar atingindo ou não o governo. Ele citou como exemplo a investigação feita pela Polícia Federal sobre o dossiê Cayman, durante dois anos, e o caso recente da invasão da Polícia Federal no gabinete do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, por determinação do Ministério Público do DF. "Seguramente o governo não tem nada a ver com o que tem sido feito pela polícia", disse Virgílio.Já o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP) disse, após reunir-se com o líder do PFL, Inocêncio Oliveira, que é preciso respeitar a decisão do partido, de não votar nada esta semana. "Estamos diante de uma crise e sem o PFL é difícil fazer a votação", afirmou Madeira, lembrando que o partido tem a maior bancada na Câmara dos Deputados. O líder governista ainda vai se reunir com o líder do governo no senado, Artur da Távola (PSDB-RJ), para discutir a crise. O principal problema a ser enfrentado é o prazo para que a emenda da prorrogação da CPMF tenha votação concluída no Senado até o dia 18 de março, para que entre em vigor após três meses da promulgação. Caso isso não ocorra, o governo calcula que haverá perda de arrecadação de R$ 400 milhões.

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