Aécio quer melhor distribuição de tributos da União

O governador reeleito de Minas, Aécio Neves (PSDB), reiterou nesta quinta-feira que os governadores pretendem insistir na redistribuição de recursos das receitas tributárias nas mãos da União. As declarações do governador foram uma resposta ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que reiterou que o governo federal não abrirá mão de parte de sua arrecadação tributária em favor de Estados e municípios, como deseja grande parte dos governadores eleitos neste ano.Em entrevista à rádio CBN, Aécio enfatizou que 80% das receitas tributárias estão nas mãos da União. "Quando eu falo nessa discussão, não falo apenas de transferir recursos, eu falo de redefinir atribuições", afirmou. Entre as propostas defendidas pelo governador mineiro estão a transferência da malha rodoviária federal para os Estados, juntamente com os recursos da Cide e o repasse automático das verbas do Fundo Penitenciário e do Fundo Nacional de Segurança para os Estados. "É esse tipo de discussão responsável que nós queremos estabelecer com o governo federal", defendeu.Para o governador mineiro, a gestão centralizada e a administração pública burocrática do Brasil têm provocado a situação atual da malha viária brasileira. "A União prefere ter o controle, não apenas as de Minas, o controle político, financeiro, desta gestão. Nenhum país, das dimensões do Brasil, ou próximo às dimensões do Brasil, tem essa figura da gestão tão centralizada", aponta. As conversas de Aécio com outros governadores continuam nesta semana. Nesta sexta-feira, está prevista uma reunião com o governador reeleito do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB).Reestruturação do PSDBDurante a entrevista, Aécio voltou a defender a reestruturação do PSDB, de forma "mais nacional do ponto de vista da sua força política e que dialogue de forma mais direta com setores mais importantes da vida brasileira, nos quais nós nos distanciamos desde o final do governo do presidente Fernando Henrique e, também, no período que nós ficamos na oposição". Para isso, o governador aponta que o partido deveria resgatar a paternidade em relação à estabilidade econômica do País e passar a defender com vigor os benefícios que a privatização de determinados setores da vida nacional trouxe para as pessoas, como no caso da telefonia."Acho que nós precisamos ter a humildade para tentar diagnosticar as razões desse mal resultado (nas eleições presidenciais) e nos transformarmos novamente em canal de pensamento e segmento da vida nacional". Para o governador mineiro, o partido social-democrata não pode estar tão distante da vida sindical brasileira e do mundo acadêmico. "Eu acho que esse é o grande desafio. Reciclar os nossos programas e nos reaproximarmos desse território da vida nacional", concluiu.O fato de o PSDB estar na oposição não impedirá, porém, que o partido mantenha o compromisso com as reformas. "Não é porque perdemos a eleição que devemos deixar de ter compromisso com essas reformas. Se o governo federal mostrar sinceridade na intenção de avançar nessa direção, o que não ocorreu no primeiro mandato, acho que devemos ter a altivez e a responsabilidade para com o Brasil de nos sentarmos à mesa e negociarmos, sobretudo, uma desconcentração de receita tributária nas mãos da União. Quem sabe esse segundo mandato possa nos permitir ter um Brasil federativo na essência e não no discurso", disse.

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