Aécio quer limite para disputa no PSDB

Presidenciável tem de ser definido até março de 2010, diz governador

Raquel Massote, BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

29 de outubro de 2008 | 00h00

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), defendeu ontem o estabelecimento de um prazo-limite para que seu partido defina quem será candidato nas próximas eleições presidenciais: março de 2010.Aécio - citado como possível presidenciável, juntamente com o também tucano José Serra - voltou a defender a realização de prévias no PSDB para a escolha do candidato, mas ressalvou que elas podem ser desnecessárias em uma situação de consenso. "Prévias são uma possibilidade concreta, inclusive previstas no estatuto do PSDB", disse, em entrevista coletiva. "Não havendo disputa, não há necessidade de prévia, mas a mobilização das bases do partido é muito importante. Prévia é algo que o PSDB deve analisar com muita seriedade."Segundo o governador, não pode haver "imposição" de candidato entre os tucanos. "O PSDB sairá unido. Essa é a condição fundamental e primeira para que nós possamos disputar com chances as eleições de 2010, e essa unidade passa pelo diálogo, pelas conversas, e obviamente não passa pela imposição de lado a lado."Depois de elogiar o desempenho do PMDB nas eleições municipais, Aécio revelou ter telefonado para o presidente do partido, Michel Temer, para parabenizá-lo. Sobre uma aproximação entre tucanos e peemedebistas na eleição presidencial, afirmou: "Nós sabemos que muitos atores da cena política brasileira se movimentam em torno de propostas, mas também de expectativa de poder. Mais forte do que o poder presente, sobretudo quando ele caminha para o final, é a expectativa de poder. Quanto mais o PSDB inspirar essa expectativa de poder e incorporar um projeto novo, mais teremos condições de diálogo com o PMDB e outros atores".Aécio, que patrocinou um acordo com setores do PT para eleger Márcio Lacerda (PSB) prefeito de Belo Horizonte, disse que os eleitores da capital mineira consagraram "uma tese, um projeto calculado".Mas ele negou que acordo tenha sido feito com vistas a 2010. "É uma aliança circunscrita às peculiaridades, às circunstâncias de Belo Horizonte. Querer transportar isso para o plano nacional seria algo utópico, ainda." E acrescentou: "Minas ousou mais uma vez, sinalizou de forma muito clara que PSDB e PT não precisam ser inimigos ad aeternum".Apesar de ver como inevitável o lançamento de uma candidatura do PT à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva, o tucano disse que os dois partidos podem ter pontos de convergência na campanha. "Existem questões que são de Estado, não são questões de governo. Então uma agenda comum para o Brasil, talvez esse seja o meu grande sonho, pode ser construída com o apoio de todos. Que obrigue aquele que não vencer as eleições a contribuir para que essa agenda possa ser aprovada."

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