Aécio propõe mudanças na política externa

Candidato afirmou que, caso ganhe eleições, será ágil "na busca do tempo perdido" com negociações comerciais

RICARDO DELLA COLETTA, BEATRIZ BULLA, ERICH DECAT, DAIENE CARDOSO, NIVALDO SOUZA, RICARDO BRITO E BERNARDO CARAM, Agência Estado

30 de julho de 2014 | 13h57

Após sua apresentação a empresários presentes no evento organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira, 30, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, teve de responder questionamento sobre o que pretende fazer para melhorar a situação do comércio internacional do Brasil.

O candidato tucano afirmou que seu compromisso será pelo realinhamento da política externa com a agenda comercial "e não ideológica". O tucano disse que será ágil caso ganhe as eleições "na busca do tempo perdido" com as negociações comerciais. "O Brasil ainda é uma economia fechada", comentou Aécio.

O candidato afirmou ainda que é essencial estimular a internacionalização das empresas brasileiras, enfrentando a bitributação. E aproveitou para dizer que não cabe "a governo nenhum estabelecer taxa de retorno para quem queira investir", mas apenas reconhecer o potencial de investimento. "Cabe ao governo estimular investimento com regras claras e sem o nefasto intervencionismo."

Vinculação ideológica

Aécio também criticou a condução do atual governo na área de relações externas. Para o tucano, o comercio com outros países vem "sofrendo pelas amarras da vinculação ideológica". "O Brasil vem perdendo oportunidade de avançar no entendimento com a União Europeia", considerou. O tucano defendeu a transição de Mercosul de união aduaneira para área de livre comércio: "O Mercosul hoje vem nos amarrando", afirmou.

Sem dar detalhes, Aécio também ressaltou por vários momentos que é necessário criar "um arcabouço" para que se avance "em novo ambiente de negócios". "Estabilidade macroeconômica precisa ser resgatada no Brasil para que tenhamos ambiente de tranquilidade. É absolutamente essencial que governo busque isonomia maior entre setores da economia", disse.

Uma das principais bandeiras do governo de Fernando Henrique Cardoso, o fortalecimento das agências reguladoras, também foi alvo de defesa do candidato. "O resgate das agências reguladoras parece urgente e possível de ser enfrentada nos primeiros dias de governo."

Medidas impopulares

Citando o episódio em que foi criticado pelo PT por propor "medidas impopulares", o candidato do PSDB afirmou que foi o governo dos petistas que adotou medidas impopulares. "Essas políticas levaram ao crescimento pífio da economia e o recrudescimento da inflação que vem punindo os que menos têm", declarou Aécio.

O tucano disse que, caso eleito, não lhe faltará coragem política desde o início do seu governo para propor mudanças. Dentre as medidas citadas por Aécio está a simplificação do sistema tributário e a compensação de créditos de forma ampla.

O candidato disse, no entanto, que só haverá espaço fiscal para reduzir a carga tributária no Brasil caso haja um "controle efetivo e claro do crescimento de gastos correntes do governo". Segundo ele, na gestão da presidente Dilma Rousseff não há controle desses gastos e é necessário equilibrar esse índice com o do crescimento da economia.

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