Aécio prepara viagem à Amazônia

Com Marina na disputa, candidatos ajustam discurso

Eduardo Kattah e Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

Após a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), mais dois pré-candidatos à Presidência - o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) - ajustaram nesta semana o foco para as questões de meio ambiente. O tucano, com viagem marcada à Amazônia, disse ontem em Belo Horizonte que "qualquer pessoa que queira pensar o Brasil com seriedade para as próximas décadas tem de incluir a questão da sustentabilidade no seu programa". Ciro, no Rio, declarou que em 2010 discursos e planos de governo terão de dar "conteúdo" ao termo sustentabilidade.

O tema ganha destaque na mesma semana em que a ex-ministra do Meio Ambiente e senadora Marina Silva trocou o PT pelo PV, com o plano de disputar a Presidência. Na quarta-feira, Dilma, nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a sucessão, havia defendido o respeito aos mananciais e ao meio ambiente, em discurso no Itamaraty. "No centro da vida estão nossos rios."

Na véspera do Dia da Amazônia, após assinar decreto que regulamenta a nova Lei Florestal do Estado, Aécio disse ontem que o desafio é encontrar fórmulas de desenvolvimento sustentável. Falou, ainda, de desmatamento. "Não diria que temos motivos para comemorar, mas temos hoje instrumentos que não tínhamos para fiscalizar, punir e inibir o desmatamento, o que já vem ocorrendo", afirmou. "O Brasil, por mais que desmate muito além do razoável, vive um processo, segundo os últimos dados, de redução do desmatamento. É positivo."

A Lei Florestal fixou limites para o consumo legal de produtos da vegetação nativa de Minas. Já o decreto assinado ontem regulamentou a ocupação de cultura agrícola em Áreas de Preservação Permanente. Ficou estabelecido prazo de 20 anos, com quatro de carência, para que a atividade seja substituída por vegetação nativa.

?CONDICIONANTE?

Ex-ministro da Integração Nacional do governo Lula e duas vezes candidato a presidente, Ciro avisou que sua prioridade "era e continua sendo" o desenvolvimento. "A sustentabilidade é uma condicionante."

Ao falar do futuro, ele citou o desenvolvimento da Amazônia como um dos pontos que precisam de propostas objetivas. "O Fernando Henrique, para se livrar da confusão, estabeleceu reserva legal de 80% para todos os lugares", criticou o deputado, ao destacar a necessidade de se levar em conta características e potenciais diferentes da região.

Em 1996, diante de desmatamento recorde, o ex-presidente editou medida provisória que aumentou de 50% para 80% a reserva legal da Amazônia. No entanto, a lei não é cumprida e muitas propriedades não mantêm os 80% de vegetação natural.

Ciro considera "natural" que a presença de Marina na disputa presidencial pelo PV, após militância de 30 anos no PT, "provoque reflexões" sobre o tema. "O Brasil não aguenta um debate em que de um lado alguém fale na necessidade de geração de energia e, de outro, alguém defenda o meio ambiente", salientou.

O deputado citou o Ceará, governado por seu irmão, Cid Gomes (PSB), como um exemplo de iniciativa bem-sucedida para a produção de energia alternativa. Segundo o parlamentar, 40% da energia do Estado é eólica.

Ele tachou de "grosseiro equívoco" a posição de simplesmente negar o desenvolvimento, como se fosse incompatível com a sustentabilidade. "Nos anos 60, a energia de base nuclear era vista como extremamente negativa", destacou. "Hoje, alguns ambientalistas alemães já consideram a melhor fonte, embora o problema dos rejeitos continue."

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