Aécio pode perder secretários estratégicos em 2.° mandato

Nas costuras para a montagem do secretariado para o próximo mandato, o governador reeleito de Minas, Aécio Neves (PSDB), corre o risco de perder alguns de seus principais auxiliares na área econômica. Os secretários de Desenvolvimento Econômico, Wilson Brumer, e da Fazenda, Fuad Jorge Noman, estariam sendo convidados para retornar à iniciativa privada. Os dois ocupam cargos estratégicos na administração estadual. Enquanto Brumer é considerado o principal responsável por recolocar o Estado no mapa dos investidores, Noman comandou o significativo aumento da receita estadual, de aproximadamente 70% durante os quatro anos. "São peças-chave desse sucesso do choque de gestão", observou o deputado federal Nárcio Rodrigues, presidente do PSDB mineiro, lembrando a repercussão positiva do ajuste fiscal promovido pelo governo Aécio no primeiro mandato. "São nomes que se projetaram ainda mais e podem realmente surgir novos convites. Mas no meu ponto de vista, eles só deixarão o governo se quiserem". Um empecilho são os salários pagos no serviço público, considerados baixos em relação aos rendimentos proporcionados pelo setor privado. Ex-presidente da Companhia Vale do Rio Doce e da siderúrgica Acesita, Brumer deixou o cargo de principal executivo da mineradora BHP Billiton para assumir a Secretaria de Desenvolvimento. Já Noman ocupava o cargo de vice-presidente da Brasilprev.O salário dos secretários em Minas foi reduzido na reforma administrativa de 2003 e atualmente é de R$ 8,5 mil. Uma alternativa para aumentar o rendimento é a participação dos titulares em conselhos de administração de empresas estaduais. Brumer, por exemplo, é presidente do Conselho da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e integra os conselhos do Banco de Desenvolvimento do Estado (BDMG) e da Companhia de Desenvolvimento Econômico (Codemig). A exemplo do primeiro mandato, Aécio tem dito que pretende montar um secretariado com perfil "ministerial", atraindo gestores renomados e técnicos capacitados. O governador mineiro também prepara uma nova reforma administrativa, chamada de "choque de gestão de segunda geração" - que será novamente conduzido pelo secretário de Planejamento e Gestão, Antônio Augusto Anastasia, vice-governador eleito. Tudo indica que Anastasia deverá acumular a função de secretário com a de vice-governador. PaivaEm viagem oficial a Washington (EUA), onde cumpre agenda de captação de financiamentos junto a organismos multilaterais, Aécio irá se reunir no próximo dia 07 com representantes de todos os partidos da base de apoio para discutir a montagem de sua equipe para o segundo mandato. Outro auxiliar que pode não continuar é o secretário de Transportes e obras Públicas, Paulo Paiva, ex-vice presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ex-ministro do Trabalho de Fernando Henrique Cardoso, cotado para integrar a equipe do governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB). Nárcio lembrou a afinidade de Paiva com Serra. "Tanto aqui como lá, ele poderá prestar um excelente serviço".

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