Aécio pede fim de especulações sobre desistência de Serra

'O momento é dele, temos um extraordinário candidato chamado José Serra e caberá a mim apoiá-lo', disse

Eduardo Kattah, da Agência Estado,

09 de março de 2010 | 17h43

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), cobrou nesta terça-feira, 9, o fim das especulações sobre uma possível desistência do colega paulista, José Serra, de concorrer à Presidência da República como candidato tucano. Aécio também criticou a "aflição" de correligionários e aliados da oposição com demora do governador paulista em assumir a candidatura. E voltou a prometer empenho na campanha de Serra em Minas, "provavelmente" como candidato ao Senado.

 

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"É preciso que paremos de uma vez por todas com essas especulações de que é possível haver uma mudança, uma alteração (do presidenciável tucano). O momento é dele, temos um extraordinário candidato chamado José Serra e caberá a mim apoiá-lo", afirmou, durante visita às obras do Hospital Municipal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro.

 

Aécio renunciou em dezembro à disputa interna pela indicação do PSDB, deixando o caminho livre para Serra. Com o crescimento da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, nas pesquisas de intenção de voto, como mostrou o último levantamento do Datafolha - na qual Serra aparece apenas quatro pontos porcentuais à frente da pré-candidata petista -, a hipótese de desistência do governador de São Paulo voltou a circular entre os tucanos aecistas. Na semana passada, durante a festa de inauguração do centro administrativo de Minas, Serra sofreu o constrangimento de ouvir o coro de "Aécio presidente".

 

Publicamente, o governador mineiro tem repetido, porém, que não acredita que o colega paulista poderá abdicar da candidatura presidencial, optando por disputar mais um mandato no Palácio dos Bandeirantes. Ao mesmo tempo, rechaça a ideia de compor como vice uma chapa puro-sangue tucana.

 

Em Uberlândia, Aécio foi questionado sobre declarações do presidente do PSDB paulista, deputado federal Mendes Thame, que disse haver um ônus na opção de Serra de não anunciar sua pré-candidatura antes da desincompatibilização. "Não acredito. Não tenho essa aflição que vejo em muitas figuras hoje, não apenas do meu partido, mas que nos apoiam", disse o mineiro.

 

Debate

 

O governador de São Paulo programou anunciar a candidatura somente no prazo-limite para a desincompatibilização, no fim de março ou início de abril. Para Aécio, a disputa pelo Palácio do Planalto "está longe ainda de ter ainda o seu ápice".

 

"A campanha está longe ainda do debate. E acredito firmemente que no momento em que houver o debate entre os candidatos, o governador de São Paulo, José Serra, tem todas as condições de enfrentá-lo e, pela sua história de vida, tem todas as condições de vencer essas eleições".

 

Papel

 

Apesar reafirmar a disposição de concorrer ao Senado, o governador mineiro, mais uma vez não foi categórico. "Temos um período para oficializar candidaturas, mas o meu sentimento é de que o papel melhor que eu possa cumprir, para dar continuidade a esse projeto extremamente exitoso de governo que está ocorrendo em Minas Gerais, é estar aqui provavelmente como candidato ao Senado, ao lado do vice-governador Antonio Anastasia", afirmou, se referindo ao candidato do PSDB à sua sucessão.

 

"Daqui de Minas Gerais vou emprestar todo meu apoio e a nossa força política para o candidato do meu partido que, provavelmente, será o governador José Serra. Mas cabe a ele anunciar no momento que achar mais adequado", ressaltou.

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