Aécio pede a FHC ação conjunta contra o crime

O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), ligou para o presidente Fernando Henrique Cardoso para dizer que a responsabilidade pela aprovação de leis mais severas para o combate ao crime organizado não deve ser atribuída apenas ao Congresso, mas a uma iniciativa que envolve o Executivo e o Legislativo. O presidente, segundo Aécio, concordou. E admitiu que a cobrança feita ao Congresso na quinta-feira, durante visita aos municípios goianos de Cidade Ocidental e Novo Gama, havia sido muito dura. No discurso, Fernando Henrique desafiou os parlamentares a fazer um mutirão para votar as leis em uma semana. "É preciso ter muito cuidado para não criar expectativas na população, como a de que é o Congresso que atrasa a votação das medidas necessárias à segurança", afirmou ainda o presidente da Câmara. No telefonema, Aécio contestou o prazo de uma semana dado por Fernando Henrique. "Não podemos aprovar nada a toque de caixa, porque não funcionará", disse. E lembrou ao presidente da República que quem faz a pauta do Congresso são os deputados e senadores. "O presidente concordou também, e reconheceu que é preciso haver uma iniciativa conjunta dos poderes para que projetos importantes para a área de segurança sejam aprovados", afirmou Aécio ao Estado.Depois do telefonema, Aécio disse que a Câmara apressará a votação de três projetos que estão parados há muito tempo: o que trata da unificação dos comandos das polícias militar e civil, o que estabelece o controle da venda de armas e o que aumenta penas para determinados crimes e acaba com atenuantes para outros. "É preciso lembrar que na questão da segurança não existe uma competição entre poderes, mas a necessidade de colaboração", afirmou o presidente da Câmara. "Nem são assuntos relacionados com a questão eleitoral; todo mundo tem a sua responsabilidade".O presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), preocupou-se em rebater Fernando Henrique. Para ele, quem viu o presidente falar pode achar que a responsabilidade pela segurança é do Legislativo. Mas, segundo ele, os responsáveis pela segurança pública no País são outros: os poderes Executivo federal e estadual. Ao Congresso, cabe exclusivamente fazer as leis, lembrou. "Como o problema de segurança não é de leis, é inconcebível tentar responsabilizar os parlamentares pela situação dramática da segurança no Brasil", disse Tebet.Para o senador, o que falta no combate à violência é vontade política, a ponto de liberar recursos necessários e de perceber a necessidade de mudar a estrutura policial do País. Principalmente, combatendo os maus profissionais. "Não vamos votar nada a toque de caixa", disse Tebet, repetindo Aécio. "Vamos votar tudo no tempo certo", afirmou. Ele insistiu que o Congresso está disposto a colaborar, mas a opinião pública tem que ter em conta que a responsabilidade pela crise não é do Parlamento.

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