Douglas Magno/AFP
Douglas Magno/AFP

Em BH, Aécio faz discurso com ataques ao governo

Senador mineiro foi pela primeira vez a manifestação de protesto contra Dilma

O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2015 | 13h09

Texto atualizado às 21h51

Ao contrário do que ocorreu nos dois protestos anteriores, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), compareceu ontem a um ato em Belo Horizonte e discursou em um carro de som. Sob o comando de Aécio – que foi derrotado por Dilma Rousseff no segundo turno da eleição presidencial do ano passado –, o PSDB, pela primeira vez, havia convocado formalmente os militantes do partido a participar dos atos no País.

Desde a primeira grande onda de manifestações, no dia 15 de março, os organizadores vinham defendendo um caráter apartidário ao movimento. 

Aécio escolheu a capital de Minas – Estado que governou por dois mandatos – para estrear nas ruas. Ele chegou à Praça da Liberdade, na região centro-sul da cidade por volta do meio-dia e foi recebido pelos parlamentares aliados.

“O Brasil despertou. Chega de corrupção. Meu partido é o Brasil”, disse, em rápido discurso do alto de um carro de som do Movimento Brasil Livre (MBL). O senador tucano voltou a afirmar que foi à praça como cidadão. “Meu partido é o Brasil”, afirmou. “O Brasil despertou. Vivemos em um país cidadão, onde as pessoas têm o direito de participar da construção do seu próprio destino. Venho como um cidadão indignado com a corrupção, com a mentira, com a incompetência desse governo que vem fazendo tão mal aos brasileiros, com a inflação saindo do controle, desemprego crescendo em todo o país e juros na estratosfera.” 

Em São Paulo, os políticos foram mais discretos e evitaram o microfone. O senador José Serra (SP) também testou sua popularidade na Avenida Paulista e foi bastante assediado. Serra chegou por volta das 16h, no auge do evento, e circulou em torno do carro de som do grupo Vem pra Rua. O tucano fez questão de dizer que ele estava ali como o “José” (e não como senador) e exaltou a ausência de partidos políticos no ato. “Não tem governo, partido nem sindicato por trás. É imenso o grau de espontaneidade. As manifestações antigas eram bonitas, mas tinha governo, partido e patrocínio. Hoje não tem”, afirmou. 

Entre selfies e abraços, ele também ouviu cobranças dos manifestantes e reclamações sobre o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, que se aproximou do Palácio do Planalto. Serra aproveitou para criticar o governo Dilma. “É injusto dizer que o governo não tem uma agenda. Tem sim: evitar o impeachment. Tudo gira em torno disso, até a agenda de viagens.” 

Marcha. Sem bandeiras ou camisas do partido, militantes e políticos do PSDB se reuniram no Parque Mário Covas e marcharam até o carro de som do movimento Vem Pra rua, carregando uma grande do Brasil uma grande bandeira do Brasil. Postulantes à Prefeitura de São Paulo pela legenda tucana, o vereador Andrea Matarazzo e o empresário João Doria Jr. também circularam entre os ativistas. 

O único partido que levou militantes uniformizados e distribuiu material gráfico foi o Solidarieade. Kim Kataguiri, um dos líderes do Movimento Brasil Livre, ironizou a participação de Aécio em Belo Horizonte. “Aécio subiu no nosso caminhão em Belo Horizonte. Como pode? A gente xingou tanto ele”. O MBL fez críticas ao PSDB nas redes sociais depois que o partido recuou da proposta de pedir o impeachment de Dilma no Congresso. 

No interior paulista, políticos do PSDB também marcaram presença. O secretário estadual de Transportes, Duarte Nogueira, ex-presidente estadual do PSDB, participou do protesto em Ribeirão Preto (SP).

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), candidato a vice-presidente na chapa de Aécio em 2014, participou pela manhã da manifestação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Na rampa do Congresso, ele afirmou que um processo de impeachment de Dilma “está, sobretudo, nas mãos do PMDB”, principal partido de sustentação do governo federal. “Não há divisão do PSDB sobre esta questão”, disse o senador. “O impeachment não depende exclusivamente do PSDB. A chave está, sobretudo, nas mãos do PMDB.” 

"Não deixe de ir às ruas, não deixe de ir às manifestações, manifestações em defesa da democracia, manifestações em protesto ao governo e ao sistema que foi instalado no Brasil desde 2003", diz o tucano. "Manifesto em defesa da reconstrução da vida pública, da moral, da economia e da política brasileira."

Renúncia. No Recife, o deputado federal Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) defendeu a renúncia da presidente como forma de preservar o País. “A melhor decisão é a renúncia dela. Essa ficha tem que cair”, afirmou Jarbas que também criticou seu correligionário, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “O Cunha tem que sair junto com ela (Dilma). Ou mesmo na frente dela.”

Ainda na capital pernambucana, o líder da minoria na Câmara, o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE), afirmou durante as manifestações contra a presidente Dilma Rousseff (PT) que seu partido “está pronto para se unir e apoiar um governo de coalização do vice-presidente Michel Temer”. 

Pelo Twitter, o deputado federal Roberto Freire (PPS-SP) escreveu que Dilma, Lula e PT “têm futuro definitivamente comprometido” e o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) divulgou um número celular em seu perfil para envio de fotos e pediu renúncia da presidente. / PEDRO VENCESLAU, VALMAR HUPSEL FILHO, GUSTAVO PORTO, LEONARDO AUGUSTO e MÔNICA BERNARDES


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