Aécio Neves rejeita pressão e nega que será vice de José Serra

Ex-governador reafirmou que a melhor forma de ajudar na vitória de Serra é 'estando em Minas Gerais como candidato ao Senado'

Eduardo Kattah, de O Estado de São Paulo

27 Maio 2010 | 12h46

BELO HORIZONTE - No seu retorno à cena política, o ex-governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), descartou nesta quinta-feira, 27, a possibilidade de compor como vice numa chapa encabeçada pelo pré-candidato tucano à Presidência, José Serra. Após um encontro no Palácio das Mangabeiras, Aécio, ao lado do governador mineiro Antonio Anastasia (PSDB) e do ex-presidente Itamar Franco (PPS), reafirmou a tese de que a melhor forma de ajudar na vitória de Serra e de Anastasia - pré-candidato à reeleição - é "estando em Minas Gerais como candidato ao Senado."

 

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Aécio retornou aos holofotes após quase um mês em férias no exterior, período em que a pré-candidata petista, Dilma Rousseff, subiu nas pesquisas de intenção de voto e aparece empatada tecnicamente com o presidenciável tucano.

 

"A minha decisão não pode ser tomada a partir de opiniões pessoais, até de boas intenções de alguns companheiros. Elas são legítimas, mas a minha decisão tem de ser tomada através de uma análise muito profunda que eu faço do cenário político. E estou absolutamente convencido de que a melhor forma de ajudar a dar a vitória ao governador Anastasia (...) e ao companheiro e amigo José Serra é estando em Minas Gerais como candidato ao Senado."

 

Ao mesmo tempo, Aécio rechaçou as pressões para que aceite compor a chapa majoritária presidencial. Sobre os que cobram "patriotismo" de sua parte, foi categórico: "Chega a ser uma piada. Ninguém fez mais gestos de generosidade dentro do PSDB em torno do nosso projeto do eu."

 

Itamar - Coube a Itamar falar claramente da opção de Aécio pela sucessão estadual. Segundo o ex-presidente, se fosse candidato a vice, Aécio faria uma "campanha de beija-flor." "Viria aqui (no Estado) de vez em quando, e bicava aqui e bicava lá. Nós precisamos vencer (em Minas)", afirmou. "É fundamental e nós acreditamos nisso piamente, a vitória do governador Anastasia."

 

Embora tenha dito que "é bem possível" que ele e Itamar façam uma dobradinha na disputa pelo Senado, Aécio voltou a admitir Itamar como possível vice de Serra, salientando que caberá ao pré-candidato a escolha do nome. "Sempre que se falar de Itamar Franco estará se falando de ética, de dignidade. Um homem em condições de ser candidato ao que quer que seja, à Presidência, à vice-presidência da República", disse. "O que posso garantir é que o palanque em que estiver o presidente Itamar Franco será o meu palanque."

 

"Ansiedades" - Com um discurso otimista, o ex-governador disse que volta extremamente animado com os cenários nacional e estadual. Prometeu empenho na campanha e disse que estará ao lado de Serra, se colocando à disposição para viajar pelo Brasil com o pré-candidato.

 

Ele reiterou que considera que a campanha, de fato, terá início após a Copa do Mundo. "É natural que estejamos vivendo o tempo de algumas ansiedades, mas estou absolutamente convencido de que nós vamos em Minas Gerais ter um excepcional resultado, tanto dando a vitória ao governador Anastasia, porque isso é o melhor para Minas Gerais, quanto também dando a vitória aqui ao presidente José Serra."

 

De acordo com Aécio, transferência de votos não é uma questão verdadeira, mas não definitiva. "O eleitor vota a partir da realidade que vê, a partir das perspectivas que vê para a sua vida".

 

Para o ex-governador, sua confiança na eleição de Serra e Anastasia se baseia no fato de ambos serem as melhores alternativas. Aécio disse também que a campanha de Serra não deve ignorar os avanços do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também não deve deixar de apontar "os equívocos" da gestão petista.

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