Aécio Neves inaugura Centro Administrativo de mais de R$ 1 bi

Complexo abrigará toda a administração direta e indireta do Estado em uma área de 804 mil metros quadrados

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo,

04 de março de 2010 | 10h49

Obra foi projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Foto: Cristiano Couto/Hoje em Dia

 

BELO HORIZONTE - Em uma solenidade para três mil convidados, entre eles boa parte do mundo político do País, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), inaugura nesta quinta-feira, 4, o Centro Administrativo do Estado, suntuosa obra projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, na zona norte de Belo Horizonte, ao custo de mais de R$ 1 bilhão. A chamada Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves será inaugurada na data do centenário do nascimento do avô do governador. Marcada pela pompa, a cerimônia é uma espécie de grand finale da gestão do tucano, que já anunciou que no fim do mês irá se desincompatibilizar do cargo para disputar as eleições.

 

Aécio terá a companhia do colega paulista, José Serra, que não precisará dividir a cena com a pré-candidata petista, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Para evitar qualquer saia-justa envolvendo o virtual presidenciável do PSDB, o cerimonial do Palácio da Liberdade não estendeu a Dilma o convite encaminhado aos ministros mineiros - Hélio Costa (Comunicações), Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência).

 

A chefe da Casa Civil, conforme a assessoria de Aécio, não foi convidada porque não fez carreira política no Estado. Embora tenha nascido na capital mineira, a vida pública da ministra foi construída no Rio Grande do Sul. Foram convidados também todos os governadores, parlamentares estaduais e federais, prefeitos das 853 cidades mineiras e a cúpula do Judiciário, além de aliados políticos de Aécio. Entre eles, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), desafeto declarado de Serra, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, maior incentivador da chapa puro-sangue tucana.

 

O clima entre Aécio e Serra também não deve ser dos mais amistosos. O mineiro foi convidado pelo paulista para ser o vice na chapa que vai enfrentar Dilma, mas Aécio recusou. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que não poderá comparecer, mas o vice-presidente José Alencar confirmou presença.

 

Cidade Administrativa

 

O monumental complexo de edifícios com a assinatura de Niemeyer abrigará toda a administração direta e indireta do Estado. Numa área de 804 mil metros quadrados, sendo 265 mil metros de área construída, o centro é formado pelo Palácio do Governo - com 146 metros de vão livre, considerado o maior vão suspenso do mundo -, dois edifícios em curva de 15 andares que abrigarão as secretarias, auditório, centro de convivência, praça cívica e lagos.

 

A obra foi contratada por R$ 949 milhões pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig), mas seu custo final, incluindo reajustes e intervenções complementares, como obras complementares no entorno, já passou de R$ 1,2 bilhão em recursos públicos. Outro montante significativo foi gasto na contratação de serviços. Somente com mobiliário e divisórias foram desembolsados R$ 78,6 milhões. Quando da apresentação do projeto, em julho de 2004, o gasto global estava estimado em cerca de R$ 500 milhões.

 

A intenção inicial do governo de que o centro fosse erguido por meio de uma parceria público privada (PPP) não vingou e a obra ficou a cargo da Codemig. Procurada, a estatal não informou na última quarta-feira, 3, o custo final do empreendimento.

 

Economia

 

A principal justificativa do governo mineiro para a obra é a economia com o custeio, estimado em R$ 92 milhões ao ano com base na extinção de despesas com aluguéis de imóveis, telefonia, serviços gerais, de energia, transporte, entre outros. Durante a construção, Aécio reiterou também a importância do empreendimento para o estabelecimento de um novo polo de desenvolvimento da região norte da capital e parte da área metropolitana. O centro fica localizado nas margens da MG-10, no caminho para o Aeroporto de Confins.

 

Um total de 16,3 mil servidores serão transferidos até o fim do ano para o centro, que deverá receber um público flutuante de cerca de 10 mil pessoas. Recentemente, o governador mineiro assinou decreto que reduz de oito para seis horas a jornada diária de trabalho dos servidores efetivos que irão trabalhar na Cidade Administrativa, para que "haja uma adaptação natural" dos funcionários públicos ao novo local de trabalho. A redução de jornada não implicará perda de salário e no caso dos servidores comissionados, será definida pelos dirigentes de órgãos ou entidade. A medida será válida até o fim do ano.

 

A festa de Aécio lotou os hotéis da cidade e contará também com a presença de artistas ícones do período da redemocratização, como a cantora Fafá de Belém, o músico Milton Nascimento e a atriz Christiane Torloni. Niemeyer, que chegou a visitar as obras, não deverá comparecer. O arquiteto, de 102 anos, gravou uma mensagem que será exibida durante a solenidade.

Tudo o que sabemos sobre:
Aécio NevesMGPSDB

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.