Aécio Neves diz que Lula é um fenômeno a ser estudado

Candidato do PSDB ao Senado Federal por Minas Gerais, o ex-governador Aécio Neves exaltou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um "fenômeno", e fez alusão a um dos famosos bordões utilizados pelo petista para elogiá-lo. "O Lula é um fenômeno, não é uma coisa normal", disse o tucano, em entrevista ao portal Veja.com, concedida em sua casa, em Belo Horizonte.

GUSTAVO URIBE, Agência Estado

19 Julho 2010 | 18h33

"O Lula é algo que, no futuro, acho que os estudiosos e os sociólogos vão analisar como algo que jamais aconteceu na história do Brasil." De acordo com Aécio, a popularidade em torno de 75% do presidente é reflexo da sua imagem política. "Lula representa, na verdade, a aspiração de ascensão social do brasileiro".

Aécio afastou uma comparação com o presidente. Mesmo tendo alcançado uma aprovação de 92% quando deixou o comando do Palácio da Liberdade, em abril, o tucano disse se considerar um político "normal". "Eu não me coloco neste patamar, eu sou alguém que acredita na gestão pública como instrumento da melhoria na vida das pessoas", disse.

O mineiro refutou também qualquer ressentimento por seu nome ter sido preterido pelo PSDB à disputa pela sucessão ao Palácio do Planalto. "Essa questão está superada, fiz o que deveria ter feito", afirmou.

Serra

O ex-governador reafirmou na entrevista que trabalha em Minas Gerais pela candidatura de José Serra (PSDB) à sucessão presidencial, e lembrou que foi responsável pela elaboração de uma agenda de visitas do tucano no Estado. Aécio avaliou que a base de apoio no Estado à candidatura de Serra é uma das que reúnem mais partidos. "Nem em São Paulo há uma aliança tão ampla apoiando o candidato Serra."

O mineiro considerou ainda "restrito" o movimento "Dilmasia", de políticos e eleitores que pretendem votar na candidata Dilma Rousseff para presidente e em Antônio Anastasia (PSDB) para governador de Minas.

O tucano disse ver na ausência de Lula nas eleições deste ano uma vantagem para a campanha de Serra. "Sempre foi muito difícil enfrentar o Lula em muitas regiões do País", afirmou. Aécio deu como exemplo o seu Estado natal. Segundo ele, Minas é uma "boa amostragem do que é o Brasil". O candidato ao Senado Federal lembrou que todos os presidentes eleitos nos últimos anos venceram no segundo maior colégio eleitoral do País.

Anastasia

Aécio afirmou ainda na entrevista que tem buscado vincular o tucano Anastasia à sua gestão à frente do Palácio da Liberdade. "Até porque ele teve um papel muito relevante na nossa ação de governo", afirmou. O candidato ao Senado avaliou a candidatura do seu sucessor como "natural", e não como uma "imposição externa".

De acordo com Aécio, o lançamento ao governo mineiro do ministro Hélio Costa (PMDB), principal adversário de Anastasia, nasceu "para atender os interesses da campanha nacional", sem observar "o interesse real do Estado".

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