Aécio Neves amplia contatos e avança pré-candidatura

Mineiro abre espaço no partido de Ciro Gomes; Tasso não afasta possibilidade de composição em 2010

Cida Fontes, de O Estado de S.Paulo

07 de março de 2008 | 17h32

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), está aproveitando as dificuldades do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), dentro do PSDB paulista para avançar sua pré-candidatura dentro e fora do partido. Além dos encontros com dirigentes do PMDB, PV e PT, o mineiro está abrindo espaço no PSB, partido do deputado Ciro Gomes (CE).  Nesta sexta-feira, 7, depois de um encontro com Aécio em Belo Horizonte, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), não afastou a possibilidade de uma composição com Ciro em 2010. Indagado se Aécio poderia fazer um dobradinha com Ciro, respondeu: "Não é provável, mas não é difícil, não. Os dois se entendem bem, têm uma mentalidade muito parecida, têm uma visão de país e de mundo muito parecida, então esse não vai ser o empecilho. Tem circunstâncias políticas que tornam isso muito difícil, até porque o Ciro também se coloca como candidato, mas a fora isso, que fossem juntos, seria até esperado". Se prevalecer o acordo entre PSDB e PT para a prefeitura de Belo Horizonte, o candidato será do PSB, o que facilita os movimentos do governador. Ao contrário de Aécio, as relações de Ciro Gomes com José Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso são espinhosas. A decisão de fazer uma prévia no PSDB para a escolha do candidato à sucessão do presidente Lula foi discutida entre Tasso e Aécio e a idéia já recebeu apoio da direção nacional. A estratégia de Aécio Neves de avançar para se consolidar como um nome forte tem, aliás, o aval do comando nacional do PSDB. "O governador tem autonomia para fazer suas ações. É um político nacional e que tem um amplo apoio em seu Estado", afirmou o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE), que também tem ligações estreitas com Serra. Na avaliação de deputados do PSDB, os movimentos de Aécio devem-se ao impasse em São Paulo, onde o partido está dividido e Serra não consegue pacificá-lo. O governador paulista não tem a maioria para impor sua vontade e evitar o lançamento da candidatura do tucano Geraldo Alckmin para a prefeitura da capital. Assim que essa situação ficar definida, parlamentares do PSDB acreditam, porém, que tanto Aécio quanto Serra vão se deslocar em busca de apoio às suas candidaturas. O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), já lançou também seu nome e, em carta ao comando nacional, pediu que tratado como "presidenciável". Mas ninguém acredita na candidatura do líder, que teve uma votação pífia no ano passado para o governo do Amazonas. Tanto Aécio quanto Serra não pretendem fazer ataques ao presidente Lula. O que importa aos dois tucanos é que Lula não entre no páreo com a eventual votação de uma emenda constitucional estabelecendo a hipótese do terceiro mandato que atualmente é proibido. "O importante também é que Lula não se sinta derrotado nem desafiado", disse um tucano, que tem conversado com os governadores de Minas e São Paulo.

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