Aécio negocia com PMDB chapa ''''pós-Lula''''

Em reunião com Temer, governador avisa que seu projeto para 2010 não contempla o perfil ?anti-Lula?

Ariosto Teixeira, O Estadao de S.Paulo

06 de março de 2008 | 00h00

Em reunião na segunda-feira com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), o governador mineiro Aécio Neves definiu como "pós-Lula", não "anti-Lula", seu projeto presidencial para 2010. Os dois conversaram em jantar na casa do ex-deputado Jorge Yunes, em São Paulo, testemunhado pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), e pelo ex-deputado Delfim Netto. O governador fez relatos da conversa - avaliada como "muito boa" por Temer - a dirigentes do PSDB, entre os quais o líder da bancada na Câmara, José Aníbal (SP), e o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE). A prioridade de Aécio é obter a nomeação como candidato à presidência pelo PSDB com a perspectiva concreta de ter o PMDB como aliado preferencial.Segundo disseram fontes peemedebistas com acesso a detalhes da conversa, Aécio indicou que gostaria de ter "suporte" do PMDB, na hipótese de que sua candidatura pelo PSDB seja inviabilizada na disputa com o governador paulista, José Serra. De acordo com essas fontes, o governador "fala realisticamente" de uma candidatura pelo PSDB e na "construção de um projeto nacional".O fato é que, com a iniciativa junto ao PMDB, o governador abriu uma ponte política em São Paulo, território do seu principal adversário na disputa pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os peemedebistas saíram do jantar certos de que Aécio botou a candidatura na rua e está conversando com um amplo espectro de forças partidárias, mas avalia como indispensável ter o PMDB do seu lado como opção de aliado ou mesmo suporte.O governador avalia que o Brasil se tornou um país otimista e dificilmente vão prosperar candidaturas de oposição radical ao governo Lula. Daí a sua definição de "candidato pós-Lula" - que o PMDB pode assegurar -, não de "anti-Lula", que se caracterizaria por uma aliança com o DEM. Ou seja, ele faz jogo oposto ao de Serra, que tem na parceria com o DEM a sua prioridade.SIMPATIAA participação de Delfim na conversa se explica, entre outros motivos, pela proximidade que o ex-deputado tem do presidente Lula e a simpatia que nutre, sem esconder de ninguém, pela hipótese da candidatura presidencial de Aécio. Ademais, não custa lembrar, Delfim é visto como um grande operador das finanças e homem-chave para a articulação de uma candidatura no setor empresarial.O encontro com o PMDB de São Paulo foi o segundo, em um ano, a tratar da questão sucessória. A primeira conversa entre Aécio e Temer ocorreu no início do ano passado, logo depois da posse de Lula. Na ocasião, o presidente do PMDB abriu as portas do partido à eventual filiação de Aécio e não descartou a possibilidade de uma aliança com o PSDB, se Aécio for o escolhido para a disputa de 2010. Temer renovou a oferta e disse a Aécio que não será difícil unir o partido em torno do nome dele.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.