Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Aécio nega ter recebido propina e pede acesso a delações da Odebrecht

Segundo a revista 'Veja', Benedicto Júnior, ex-executivo da empreiteira, afirmou em depoimento que a construtora fez depósitos para o senador numa conta em NY

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2017 | 13h55

Brasília - O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou neste sábado que não tem nenhuma conta no exterior que tenha recebido recursos ilícitos da empresa Odebrecht. Em entrevista a jornalistas realizada na sede do partido em Brasília, o tucano informou ainda que encaminhará ainda hoje ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, pedido de acesso à integra da delação do ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior.

De acordo com reportagem da revista Veja deste fim de semana, Benedicto Júnior afirmou em depoimento que a construtora fez depósitos para Aécio, numa conta de Nova York operada por sua irmã, Andrea Neves. Conhecido como BJ, Benedicto é um dos 78 executivos da empreiteira a firmar acordo de delação premiada com a Justiça.

“A afirmação é falsa, irresponsável, criminosa, porque isso não existe nem em Nova York, nem em outra parte dos Estados Unidos, nem em qualquer outra parte do mundo”, afirmou Aécio acompanhado dos advogados Carlos Velloso e Aristide Junqueira.

“Estou peticionando hoje ainda ao ilustre ministro Fachin do Supremo Tribunal Federal para que ele permita acesso imediato à delação desse cidadão, senhor Benedito Junior, para que nós possamos saber o que ali consta, para que eu possa exercer meu direito constitucional à defesa”, ressaltou o senador. “Espero que o ministro Fachin possa rapidamente nos permitir acesso a esses documentos para, de forma muito clara, demonstrarmos aonde está a verdade. Esteja ou não na delação essas afirmações, elas são falsas”, emendou.

Ao falar sobre o conteúdo da reportagem da revista Veja, Aécio informou que o seu advogado Alberto Zacharias Toron entrou em contato ontem com o defensor de BJ, Alexandre Wunderlich.

Segundo nota distribuída por Toron, Wunderlich afirmou que não havia na delação de seu cliente qualquer referência à irmã de Aécio e nem sobre a conta em Nova York. De acordo com Toron, em razão da cláusula de confidencialidade, Wunderlich afirmou que não poderia falar com a imprensa e nem mandar mensagem com o conteúdo da conversa realizada por telefone.

Relação - Na entrevista, Aécio não negou conhecer BJ, mas disse que a relação deles era apenas formal. “Eu o conhecia como conhecia o senhor Marcelo Odebrecht, como conhecia outros dirigentes de outras empresas públicas. Seria muito estranho se eu não o conhecesse, mas era uma relação absolutamente formal, sem nenhuma intimidade”, assegurou.

Cotado como candidato à Presidência da República em 2018, o senador considerou que o episódio não irá o atrapalhar em uma eventual disputa. “Acho que não. Ano que vem é ano que vem. Nós estamos ainda longe”, finalizou.

Contrapartida - Segundo a reportagem da revista Veja, o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura afirmou que os valores foram entregues a Aécio como “contrapartida” ao atendimento de interesses da construtora em obras da Cidade Administrativa, do governo de Minas Gerais, realizadas entre 2007 e 2010, e da usina hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia, de cujo consórcio participa a Cemig, a estatal estadual de energia elétrica.

No texto, a revista diz que confirmou a denúncia de BJ com três fontes distintas, todas ligadas ao processo de delação.

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