Aécio nega apoio às reformas em troca da aprovação de MP

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, negou que tenha barganhado o apoio às reformas, pedindo em troca a aprovação da Medida Provisória 82. A MP, que transfere aos Estados parte da malha rodoviária federal, foi aprovada ontem pela Câmara dos Deputados com o mesmo texto votado na semana passada pelo Senado Federal. A principal reivindicação do governo mineiro era de que os cerca de R$ 780 milhões já repassados aos cofres estaduais fossem considerados receita de capital e não receita corrente líquida. Caso a alteração no texto não tivesse sido feita, o Estado teria que desembolsar R$ 105 milhões a mais com o pagamento de parcelas da dívida junto à União. Os valores liberados pelo governo federal em dezembro foram utilizados pelo então governador Itamar Franco para quitar parte do décimo terceiro do funcionalismo estadual. A MP 82 ainda precisa ser sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas Aécio afirmou que há um compromisso formal do líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (PT-SP) e dos ministros da Fazenda, Antônio Palocci, e da Casa Civil, José Dirceu, de que o Estado não será onerado. De acordo com o governador, foi por essa razão pela qual a pauta de votação no Senado foi desbloqueada e houve a garantia de votação na Câmara dos Deputados ontem. Aécio voltou a afirmar que o governo encontrará muito mais dificuldades para a aprovação das reformas tributária e previdenciária junto à base aliada do que junto aos partidos de oposição. ?É importante que haja por parte do governo federal coesão do discurso, porque se a base passa a ter discurso difuso, é natural que os partidos de oposição não se sintam com o mesmo compromisso com as propostas". Para o governador mineiro, o governo federal terá que contar com a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para garantir um discurso "uníssono". "Grande parte da bancada do PT, que hoje tem discursos dúbios e de rejeição às propostas, se elegeu ao lado do presidente", diz.

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