Aécio luta por vitória dupla em Minas e fala em oposição moderna

Nos cálculos políticos do ex-governador, somente sua eventual eleição ao Senado, isolada, poderia apequenar sua força política

Malu Delgado, de O Estado de S.Paulo

02 Julho 2010 | 00h02

Em conversas reservadas com políticos mineiros há algumas semanas, o ex-governador Aécio Neves fez projeções do cenário eleitoral e revelou que considera a eleição de Antonio Anastasia (PSDB) ao governo de Minas Gerais, seu afilhado político, fundamental para que ele se credencie como a principal figura de oposição do PSDB em caso de vitória de Dilma Rousseff à Presidência.

 

Nos cálculos políticos do ex-governador, somente sua eventual eleição ao Senado, isolada, poderia apequenar sua força política, já que o PSDB considera provável a vitória de Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo.

 

Nestas confidências mineiras, Aécio calcula que só com as duas vitórias, ao governo de Minas e ao Senado, aumentaria seu cacife político no PSDB e no cenário nacional, superando, assim, a força que Alckmin poderá agregar entre os tucanos paulistas e dirigentes da sigla.

 

Quando, discretamente, cogita uma derrota do correligionário José Serra na disputa à Presidência da República, Aécio antecipa que pretende inaugurar uma nova era oposicionista no trato com o PT. O tucano cita a necessidade de criar uma "oposição contemporânea" no Brasil, capaz de discutir com o governo projetos relevantes. O ex-governador acha que a oposição, seja PT ou PSDB, precisa rever e modernizar seu papel.

 

Aécio não tem o perfil de oposicionista raivoso. Não por acaso foi em Minas Gerais que a dobradinha PSDB e PT teve algum eco. Foi também a partir da preferência do eleitorado de Aécio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que surgiu a dobradinha "Lulécio".

 

Em parceria com Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, Aécio Neves ajudou a eleger Márcio Lacerda (PSB) à prefeitura da capital. O tucano mantém, ainda, um excelente relacionamento com Lula nos bastidores.

 

As previsões do ex-governador, segundo políticos mineiros experientes, são reveladoras sobre o caminho que pretende trilhar para viabilizar o seu nome à disputa presidencial de 2014 ou 2018.

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