Aécio: Lula atuou como 'atirador' para ajudar Dilma

O ex-governador Aécio Neves (PSDB) afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuou como "atirador de elite" para blindar a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, durante a corrida pelo Palácio do Planalto. Ao acompanhar o atual governador e candidato à reeleição, Antônio Anastasia (PSDB), ao debate promovido pela TV Globo na noite de ontem, Aécio afirmou que Dilma deixou que Lula assumisse a frente da campanha para blindá-la contra "sucessivas e graves denúncias".

MARCELO PORTELA, Agência Estado

29 de setembro de 2010 | 15h51

O ex-governador, que lidera as pesquisas em Minas para o Senado, disse também acreditar na possibilidade de realização de um segundo turno nas eleições presidenciais entre Dilma e o tucano José Serra. Para ele, mais tempo de debate "faria bem para o País" e seria uma oportunidade para o eleitorado "conhecer um pouco melhor o perfil e a biografia e a personalidade dos dois candidatos".

"O segundo turno pode ser uma nova eleição, principalmente se ocorrer a partir dessas sucessivas e graves denúncias que estão hoje na imprensa brasileira e também na cabeça de muita gente em torno da candidatura oficial do governo", avaliou. "A candidata Dilma, a quem respeito pessoalmente, fez uma campanha, quase que o tempo inteiro, se afastando dos principais debates, permitindo que o presidente da República fosse o seu atirador de elite", acrescentou.

Propaganda eleitoral

Apesar de se dizer "otimista" em relação à possibilidade de segundo turno, Aécio - assim como Anastasia - em nenhum momento citou a candidatura presidencial na propaganda eleitoral gratuita tucana em Minas exibida hoje, a última da disputa estadual. Como no início da campanha, foi o candidato ao Senado quem abriu o programa da candidatura majoritária, com depoimento pedindo voto apenas para o atual governador.

Em meados de setembro, o ex-governador já havia declarado que uma derrota de Anastasia em Minas seria "talvez a derrota do projeto de Minas". "Eu acho que podemos pensar sim num projeto nacional para Minas Gerais no futuro, mas projeto nacional, até mesmo do governo federal, passa pela eleição de Anastasia", disse.

Na mesma ocasião, ele negou estar decepcionado por ter perdido para Serra a disputa interna pela indicação do PSDB para a corrida presidencial e observou que era preciso "pensar no futuro". Depois, em nota, negou que tivesse vinculado a reeleição de seu apadrinhado político em Minas a um projeto pessoal. No programa de hoje, porém, encerrou seu depoimento afirmando novamente que "a vitória de Anastasia representa também o fortalecimento de Minas no cenário nacional".

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