Wilson Pedrosa/Estadão
Wilson Pedrosa/Estadão

Aécio já traça estratégia para período de pré-campanha

Senador tucano pretende percorrer o País a fim de tentar montar um programa de governo com ‘apelo popular’

João Domingos, de O Estado de S. Paulo

05 de dezembro de 2012 | 00h00

BRASÍLIA - Lançado na segunda-feira, 3, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo presidente do PSDB, Sérgio Guerra, à disputa pela cadeira de Dilma Rousseff em 2014, o senador mineiro Aécio Neves já traçou a estratégia de atuação no período que antecederá a sucessão presidencial.

Em maio do ano que vem, Aécio, que governou Minas por dois mandatos, deverá ser eleito o novo presidente nacional do PSDB, substituindo Guerra, deputado federal que é um dos principais entusiastas de sua candidatura ao Planalto daqui a dois anos.

A partir daí, o senador mineiro pretende percorrer o País e montar um programa com cinco temas de grande apelo popular: ética na política, segurança, saúde, educação e desenvolvimento.

Assim como fez no momento em que foi lançado ao Palácio do Planalto em evento de prefeitos eleitos do PSDB realizado em Brasília, Aécio afirmou na terça-feira, 4, ao Estado que, em sua opinião, o trabalho pela candidatura só deverá começar em 2014. "Antes é preciso organizar o PSDB. É preciso encontrar uma linguagem que possa ser entendida pela população. É preciso ouvir todos, em todos os locais, para depois montar um programa de governo. Acho que nesse momento essa é a prioridade", afirmou.

Ele voltou a usar a frase segundo a qual a candidatura só será concretizada no "amanhecer de 2014". O lançamento de segunda, porém, foi combinado previamente entre Aécio, Fernando Henrique e Sérgio Guerra.

Pesou o fato de o governo federal passar por mais uma crise envolvendo assessores de Dilma e de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, com a Operação Porto Seguro da Polícia Federal. O lançamento de Aécio ocorre ainda num momento pós-condenações do mensalão e de baixo crescimento econômico.

Aproximação. Para o senador, o PSDB deve aproveitar o fato de ter oito dos 27 governadores de Estado e de ter eleito 702 prefeitos para percorrer o País numa campanha que volte a aproximar o partido dos eleitores. Aécio já disse que espera contar com a ajuda de Fernando Henrique nas andanças. A intenção é fazer do ano que vem uma espécie de "ano do PSDB", quando o partido deverá reforçar o discurso em favor de seu legado e deixar claro, para a sociedade, as diferenças que há entre os tucanos e o PT.

Em uma etapa seguinte, passará a exibir para a sociedade o candidato que vai disputar a eleição com a presidente Dilma Rousseff, que tentará a reeleição.

O PSDB pretende dizer que as diferenças entre os tucanos e o PT se baseiam nos pilares da ética e da eficiência. Nesse discurso, o partido vai dizer que o PT deu uma nova feição à prática da corrupção, ao encarar os desvios como "missão partidária", caso específico do escândalo do mensalão, em que os condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) reclamam que não cometeram crimes, pois se encontravam em missão do partido.

Em relação à eficiência, o PSDB pretende enumerar uma série de práticas que considera equivocadas e que foram cometidas nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Entre elas, a falha na universalização do saneamento, na segurança pública e na saúde, o enfraquecimento das agências reguladoras e a queda no valor de mercado e da produção da Petrobrás. Os tucanos acusam o governo do PT de ter reduzido o valor da Petrobrás em U$ 100 bilhões no mercado.

Na sua intenção de percorrer o País afora com um discurso para revigorar o PSDB e atacar o PT, Aécio Neves deverá também dizer que o governo petista privilegiou o aparelhamento das empresas estatais e agências reguladoras e usou a máquina como nunca para suas pretensões partidárias. Tanto é que na campanha para as prefeituras, em outubro, do Amapá ao Rio Grande do Sul, o discurso do governo era de que se o voto não fosse dado num prefeito da base aliada, não haveria dinheiro para a administração.

Para Aécio, o PSDB deve ainda aprimorar sua postura como a principal força de oposição do País, levando à população um projeto alternativo de poder.

A Executiva Nacional do PSDB realizou na terça uma reunião. Marcou a convenção que vai eleger Aécio Neves para o dia 25 de maio. As convenções estaduais serão realizadas no dia 28 de abril e as municipais e zonais em 24 de março.

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