Aécio insiste em apoio de Ciro para 2010

Deputado disse que pode desistir de concorrer ao Planalto se governador for candidato a presidente

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

17 de julho de 2009 | 00h00

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) voltaram a cogitar publicamente a hipótese de aliança na eleição presidencial de 2010. Após um encontro com Aécio no Palácio das Mangabeiras, Ciro reiterou ontem que poderá desistir de concorrer novamente ao Palácio do Planalto caso o mineiro consiga se viabilizar como presidenciável tucano. "O governador Aécio sendo candidato à Presidência da República descomprime gravemente a necessidade estratégica de eu apresentar uma candidatura. Não quer dizer que eventualmente eu tenha que ser, porque isso dirá o meu partido", afirmou. "Mas as necessidades, as minhas angústias com relação ao futuro do País, com a presença dele, supondo um enfrentamento dele com a ministra Dilma (Rousseff, da Casa Civil), minha estimada companheira, eu fico feliz, porque acho que o Brasil estará em seguras, tranquilas e boas mãos." Recentemente, Ciro passou a ser cotado para a corrida pelo governo de São Paulo. Sem negar a hipótese de disputar a eleição paulista, ele disse que por enquanto prefere examinar a possibilidade de ser candidato à Presidência. O governador tucano classificou um eventual acordo com o deputado como uma utopia "realizável". Segundo ele, embora o PSB integre a base de sustentação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o "jogo de 2010 ainda não está todo jogado". "Não está ainda clara quais serão as construções que ocorrerão", ressaltou. "Jamais permitiremos que eventuais circunstâncias, sejam elas partidárias ou eleitorais, nos afastem." ELOGIOSCiro afirmou que Aécio está pronto para servir ao País como presidente e recordou o escândalo do mensalão para acusar "boa parte" do PSDB de aderir ao que chamou de escalada pela oposição de um "golpe de Estado contra o presidente Lula". "Naquela crise, quando se escalou o golpe, o Aécio esteve pelo lado da democracia", ponderou. "Nunca deixou de ser um opositor decente, correto, tanto que o presidente Lula o distingue", prosseguiu. O flerte entre o mineiro e o deputado por uma aliança na próxima disputa presidencial se intensificou no ano passado, quando um acordo entre os dois e o ex-prefeito Fernando Pimentel (PT) levou à eleição de Márcio Lacerda (PSB) para a Prefeitura de Belo Horizonte. Mas a hipótese perdeu força com a decisão do governador de ficar no PSDB e lutar pela sua pré-candidatura com a bandeira das prévias partidárias. Quando ministro da Integração Nacional durante o primeiro mandato de Lula, Ciro chegou a dizer que Aécio seria "triturado" e "esmagado" pelo governador de São Paulo, José Serra, na disputa interna tucana. Ontem ele desconversou, mas voltou à carga contra o paulista, seu desafeto declarado. "Os métodos do Serra são conhecidos. Ele não enfrenta adversários, na minha opinião, com as linguagens naturais do antagonismo político eleitoral. Ele trata os adversários como inimigos a serem destruídos", afirmou, diante de um Aécio constrangido. Na noite anterior, o governador mineiro e o colega paulista haviam assistido juntos, no Mineirão, à derrota do Cruzeiro para o Estudiantes, por 2 a 1, pela decisão da Taça Libertadores. Torcedor fanático do time celeste, Aécio admitiu que acordou com "um pouco de dor de cabeça" pela perda do título em casa. Quando questionado se Serra seria "pé-frio", apenas sorriu. Ciro, por sua vez, não perdeu a oportunidade. "Eu bem que avisei." Após o encontro reservado na residência oficial do governo de Minas, Ciro e Aécio se reuniram com o ex-presidente da República Itamar Franco, recém-filiado ao PPS. Os três seguiram depois de helicóptero para solenidade do Dia de Minas, na cidade histórica de Mariana.Ciro não estava na relação dos condecorados com a Medalha Dia de Minas. Mas o governo estadual, de improviso, mudou o roteiro oficial para encaixar a participação do cearense.COLABOROU IVANA MOREIRA

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