Aécio festeja prévias, mas Serra tenta esfriar tema

Mineiro fala até em ?amalgamar? PSDB, mas paulista nada comenta

Eduardo Kattah e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

19 de fevereiro de 2009 | 00h00

Exaltação de um e mutismo de outro. Assim reagiram ontem os governadores de Minas e de São Paulo, Aécio Neves e José Serra, ao serem indagados sobre as prévias no PSDB para escolha do candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um dia após o presidente da sigla, Sérgio Guerra, assegurar que obteve a concordância de Serra e promoverá a consulta, Aécio declarou que será uma "histórica oportunidade" de mobilizar e unir a legenda.Lacônico, o tucano paulista recusou-se a comentar o debate que está travado no seu partido sobre as prévias e a antecipação da escolha do candidato à Presidência em 2010. Em entrevista após um evento do governo paulista, Serra nem esperou o fim da pergunta dos repórteres e reagiu, já se distanciando: "Não há discussão." Empolgado, por sua vez, Aécio chegou a sugerir que ele e o colega paulista caminhem juntos pelo Brasil. "Algo coordenado pela direção nacional do partido, mostrando que mais do que qualquer projeto individual, prevalece o projeto de País que o PSDB tem", detalhou.O governador mineiro disse que espera que as prévias ocorram "num clima de respeito mútuo e de fortalecimento da unidade partidária". "A nossa unidade é o instrumento de maior vigor que temos", insistiu. "É legítimo que cada um possa ter o seu projeto, que eles possam encontrar algumas nuances e diferenças, mas todos nós temos uma responsabilidade maior com o Brasil."Embora enfático defensor das primárias no PSDB, Aécio disse concordar com a preocupação do colega paulista sobre uma "antecipação exagerada" do processo eleitoral e disse que em tempo de crise a "atenção tem de ser redobrada". "Nós devemos trabalhar para inibir essa antecipação, até porque, todos nós, governadores de Estado, o próprio presidente da República, temos responsabilidades com as nossas administrações", alegou.SEM DIVISÃOO governador mineiro, que havia cobrado uma definição sobre as primárias até o final de março, evitou ontem adotar um tom triunfalista, afirmando que não se considera vitorioso neste processo. Destacou, ainda, que a defesa das prévias não é uma ideia isolada nascida no Palácio da Liberdade para dar oxigênio à sua pré-candidatura. "Talvez eu esteja verbalizando de forma mais clara essa ideia, mas é um sentimento da direção do partido", disse. "Prévias não são contra ninguém. Não tem vencedores nem derrotados."Para Aécio, há quem aposte e até torça para que a consulta interna gere divisão entre os tucanos, provocando o acirramento dos ânimos. "Se decepcionarão", garantiu o governador, para quem esse instrumento poderá "cimentar, amalgamar de forma definitiva" a sigla. "O PSDB, unido, certamente é um fortíssimo candidato à sucessão do presidente Lula", concluiu.

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