Aécio estuda pedir licença para costurar pré-campanha

Próxima viagem do governador de Minas Gerais será a Amazônia, onde deve investir no discurso ambiental

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo,

04 de setembro de 2009 | 17h10

Para intensificar sua presença nas regiões onde é menos conhecido, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), estuda se licenciar do cargo em novembro por até 15 dias e empreender uma intensa programação de viagens por Estados do Nordeste e no Norte do País.

 

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Aécio tem demonstrado empenho para se viabilizar como presidenciável do PSDB em 2010 e programa viagem para Amazônia.

 

Somente em agosto, ele cumpriu agendas administrativa ou partidária em cinco Estados do País: Ceará, Sergipe, Pernambuco, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Na quinta-feira, o governador mineiro foi homenageado em Salvador com o título de cidadão honorário da Bahia, concedido pela Assembleia Legislativa do Estado.

 

Aécio disputa com o governador de São Paulo, José Serra, a indicação como candidato tucano à Presidência. Conforme assessores, a licença seria uma forma de sinalizar a disposição em concorrer ao Palácio do Planalto e reforçar a imagem de agregador político.

 

Questionado nesta sexta-feira, 4, sobre o assunto, o governador, já de saída de uma solenidade no Palácio da Liberdade, disse que se trata ainda de uma "ideia". "Não pensei nisso ainda não, é uma ideia", desconversou.

 

Conforme o artigo 62 da Constituição Estadual, para se ausentar por mais de 15 dias do Estado, o governador precisa de uma autorização da Assembleia Legislativa. Como a intenção de Aécio é tirar uma licença de 10 a 15 dias, bastará um comunicado ao Legislativo. O mineiro já disse que irá se desincompatibilizar até o final de março para disputar a eleição presidencial ou uma cadeira no Senado.

 

Amazônia

 

A próxima viagem programada é para o Amazonas, onde Aécio investirá no discurso do desenvolvimento sustentável da Amazônia. O tema ambiental, que ganhou força após a entrada da senadora Marina Silva no PV e na corrida presidencial, já vinha sendo incluído como bandeira pelo tucano.

 

Em julho, o governador recebeu no Palácio das Mangabeiras deputados federais do Acre, Roraima e Amapá. Ouviu deles um "diagnóstico" dos principais problemas da região e acertou a visita aos Estados. "Qualquer pessoa que queira pensar o Brasil com seriedade para as próximas décadas tem que incluir a questão da sustentabilidade no seu programa", comentou ontem (04), após assinar o decreto que regulamenta a nova Lei Florestal do Estado.

 

Na véspera do Dia da Amazônia, Aécio disse que o grande desafio é encontrar fórmulas de desenvolvimento sustentável na região do bioma, mantendo e preservando sua biodiversidade.

 

Ele, porém, não pretende aproveitar o tema para fazer críticas ao governo federal. "Não diria que temos motivos para comemorar, mas temos hoje, acho que instrumentos que não tínhamos no passado para fiscalizar, para punir e para continuar inibindo o desmatamento, o que já vem ocorrendo", disse. "O Brasil, por mais que desmate muito além do que seria razoável, vive um processo, segundo os últimos dados, de redução desse desmatamento. É algo positivo".

 

Lei - A nova Lei Florestal foi sancionada por Aécio na última quarta-feira, fixando limites para o consumo legal de produtos originados da vegetação nativa de Minas. A lei prevê um cronograma de consumo de produtos e subprodutos florestais de matas nativas, que não deve superar 5% a partir de 2018. O decreto assinado ontem (04) regulamentou a ocupação de cultura agrícola em Áreas de Preservação Permanente (APP). Foi estabelecido um prazo de 20 anos, com quatro de carência, para que a atividade agrícola nessas áreas seja progressivamente convertida em vegetação nativa.

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