Aécio elogia Palocci mas pede mais ousadia na economia

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, disse hoje no Palácio do Planalto, depois de se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ser um defensor do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, por acreditar que ele deverá conduzir o País à retomada do crescimento. "E terá nosso estímulo para isso", destacou. Ele defendeu, no entanto, mais ousadia do governo, levando em conta que as perspectivas que são favoráveis neste ano, em razão de indicadores da economia internacional, "não permanecerão favoráveis eternamente". "É fundamental que sejamos mais ousados em relação às taxas de juros para restabelecer no País o clima de crescimento econômico", afirmou. Aécio disse que não aposta no fracasso do governo para beneficiar seu partido, o PSDB, no futuro. Segundo ele, o fracasso do governo federal "significa o fracasso de todos os Estados, de todo o País". Dificuldades como nos outros governosAécio disse que o governo vive dificuldades "como outros governos já viveram". "Não contem comigo para criar no País um clima de ingovernabilidade", avisou. Segundo Aécio, o presidente Lula é um homem de bem e tem as melhores intenções, "mas ele próprio sabe que vive no dia de hoje um grande drama em várias áreas do governo, por causa da incapacidade de se dar respostas rápidas a problemas que são prementes". Aécio destacou que a questão da reforma agrária é uma preocupação de todos os governadores e que considera que o não acatamento ao que prevê a Medida Provisória que trata da vistoria em terras ocupadas é "um retrocesso". O governador de Minas, que disse ter conversado com o presidente sobre o tema, lembrou que aquela medida teve um efeito inibidor de invasões. Mas acrescentou que não basta, apenas, inibir. "É preciso que se apresente um projeto claro de reforma agrária e, obviamente, onde houver excessos, que ele seja coibido com o respeito à lei". Ao ser questionado sobre se as atuais manifestações ? de sem-terra, de sem-teto - enfraquecem o governo, Aécio disse que não vê dessa forma. "O que pode fragilizar o governo é a ausência de propostas consistentes, que gerem no íntimo das pessoas confiança na retomada do crescimento e na geração de empregos", afirmou. "Não me preocupam tanto as manifestações, até porque o governo deve ceder ao bom senso e não ceder às manifestações". Para Aécio, o governo deve estar sabendo o limite das concessões que está fazendo, "para que elas não sejam acima da capacidade do governo de honrá-las no futuro".Salário mínimoO governador disse que "quanto maior for a possibilidade de aumento do salário mínimo, melhor para todos ". Mas advertiu que há um limite, que são os impactos, sobretudo na questão previdenciária. "O que é muito curioso nesse processo, e eu falo como ex-congressista e ex-presidente da Câmara, é que os argumentos usados hoje pelo governo são exatamente aqueles que no governo Fernando Henrique eram utilizados pela área econômica. Até as frases são as mesmas", afirmou o governador. "Só que naquele momento tínhamos, do outro lado, um ´brado virulento´ das oposições cobrando sempre aumentos além da realidade". Aécio disse que acha possível dar um aumento razoável ao mínimo, mas que é leviandade estabelecer valores. E contou que o presidente Lula disse a ele que está preocupado com isso.

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