Aécio e Serra tentam dissipar rumores de desentendimentos

Os governadores de Minas, Aécio Neves e de São Paulo, José Serra, ambos do PSDB, tentaram nesta quinta-feira dissipar rumores de desentendimentos e afinar discursos em torno das reivindicações dos Estados ao governo federal, no que se refere ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O mal estar teria surgido porque Aécio compareceu ao encontro com os governadores, na última segunda-feira, em Brasília, quando o acordo seria que os Estados da região sudeste seriam representados pelo governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB). O encontro ocorreu no Palácio das Mangabeiras, da residência oficial do governo mineiro. "Houve uma interpretação absolutamente errônea. Aliás, eu já disse para o Aécio mais de uma vez que fico absolutamente satisfeito se ele puder nos representar nessa questão, nesse debate federativo, em todos os momentos", afirmou. A troca de amabilidades continuou quando o governador mineiro enfatizou que "aqueles que apostarem em algum tipo de distanciamento, de divergência entre Serra e eu, certamente perderão. Nós temos uma compreensão muito próxima das etapas e transformações que o país precisa viver. Temos, portanto, uma identidade que não é só política. É pessoal. Uma amizade absolutamente definitiva". Aparentando bom humor, ambos chegaram a fazer piada das informações de que haveria uma disputa. "Quero dizer o seguinte: se alguém alguma vez me vir com o dedo no olho do Aécio é porque estou tirando o cisco", disse Serra. Em seguida, foi a vez de Aécio. "Se algum dia, vocês me virem fitando, olhando para o governador José Serra de forma agressiva, pode saber que é para protegê-lo de alguém que está vindo por trás". Os governadores acreditam que os Estados conseguirão chegar a um entendimento com o governo federal em tornos das reivindicações relativas ao PAC. "Eu acho que o diálogo vai acontecer e é natural, que no começo cada um defina suas posições. A partir daí, não tenho dúvida, vai haver um processo de entendimento", afirmou Serra. Conforme Aécio, o fundamental na negociação que vem sendo travada pelos governadores é a apresentação das demandas ao governo federal, de forma a possibilitar uma complementaridade entre os orçamentos dos Estados e as propostas de investimentos feitas pela União e, por isso, a intenção dos governadores não teria a de travar uma queda de braço com o governo federal. "Sem desmerecer as intenções do presidente Lula, mas eu acharia que uma consulta aos governadores, uma conversa com os Estados permitiria uma racionalidade maior dos investimentos", afirmou. Serra aproveitou para engrossar o coro "e aí, multiplicar, inclusive, o rendimento de cada Real investido. A complementaridade aumenta a produtividade". Reivindicações Entre os principais pontos da pauta de reivindicações, destacados pelo governador mineiro estariam um aumento do repasse dos recursos da Cide aos Estados, para o patamar de 46% do total arrecadado, que representariam a malha rodoviária do País que hoje é administrada pelos Estados. "Seria adequado que esses recursos viessem e que a outra parte dos recursos da Cide fosse também integralmente investidos na recuperação das rodovias federais", apontou Aécio. O segundo ponto seria a desoneração da PIS/Cofins em relação aos investimentos em saneamento, também defendida pelo governador paulista. Serra ressaltou que a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) costuma recolher 10% dos tributos, que poderiam ser revertidos em investimentos em água e esgoto. "É melhor deixar o recurso diretamente com as empresas estaduais para elas investirem em saneamento e nas áreas sociais críticas", defendeu. Ao final do encontro, Serra destacou que os governadores de todos os partidos são os que mais contribuem para a austeridade fiscal do País. "Eles (os governadores) têm que ter voz, têm que ter presença nessas questões", disse.

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