Aécio e Serra negociam prorrogação da CPMF

Governadores se unem à cúpula tucana para tentar uma última rodada de conversas com Planalto antes de emenda ser levada à votação no Senado

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

20 Outubro 2007 | 00h00

Os governadores de Minas, Aécio Neves, e de São Paulo, José Serra, se uniram ontem à cúpula tucana para abrir uma nova rodada de negociações com o governo e tentar obter alguma contrapartida com a votação da emenda que prorroga até 2011 a cobrança da contribuição. Após um almoço na sede do governo paulista, realizado a pedido dos dois presidenciáveis, o partido combinou ameaças a um tom conciliador, para abrir a possibilidade de um acordo, sem deixar de lado o discurso de oposição. Escolhido como porta-voz do encontro, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), deixou claro que o partido se utilizará da pressa do governo para garantir seu espaço na negociação. A estratégia deverá ser levada à reunião marcada para a próxima quinta-feira com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para tratar da CPMF. "Só dou aqui um lembretezinho estatístico: sem a nossa ajuda, nunca, em matéria nenhuma, nem em voto de louvor, o governo obteve 49 votos de 2003 para cá", afirmou Virgílio, ao lado do líder na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), e do senador Sérgio Guerra (PE). "O tempo nosso de paciência em relação à soberba do governo está esgotando-se. Não fechamos questão. Estamos aguardando o governo descer de vez desse pedestal." Virgílio desviou de perguntas sobre demandas do PSDB e disse sucessivamente que caberá ao governo dizer o que tem a oferecer. Ele se limitou a afirmar que o partido espera redução da carga tributária e o controle dos gastos públicos. Na reunião, entretanto, foram debatidas várias possibilidades de contrapartida, como a diminuição significativa da cobrança de PIS e Cofins na área de saneamento ou ainda a desoneração da folha de pagamento. Segundo participantes do encontro, a idéia de aprovar a CPMF em troca de outras reduções de impostos agradaria a todos os lados: a receita anual de quase R$ 40 bilhões gerada com a contribuição continuaria a alimentar os cofres públicos, criando um quadro benéfico não apenas para o atual governo, como também para uma eventual administração encabeçada por Serra ou Aécio a partir de 2011. ?PRATO FEITO? No fim da tarde, já de partida para Belo Horizonte, Aécio afirmou que o encontro permitiu "afinar a viola" com o Senado, que passará a conduzir as negociações com o governo. Ele também endossou a tese de que os tucanos não devem se apresentar no encontro com Mantega com "um prato feito". Ainda assim, o governador retomou propostas como o aumento da fatia da CPMF destinada à saúde e a elevação dos repasses a Estados e municípios da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Virgílio avisou que o governo terá de ir além de propostas como a criação de uma faixa de isenção para a cobrança da CPMF se quiser garantir o apoio tucano. Essa sugestão, segundo ele, é "perfumaria que parece agradar a turma do governo". Ironizando as falas do presidente Lula de que não irá barganhar a aprovação da CPMF, Virgílio acrescentou que o partido também não aceita reduzir a alíquota somente após 2010. "Nunca antes nesse país alguém baixou alíquota só quando ele não é mais presidente", afirmou. Apesar da proximidade da reunião, Mantega também não foi poupado. O tucano disse que o partido não aceitará o "terrorismo infantil" do ministro, que falou em aumento de carga tributária caso a CPMF não seja aprovada.

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