Aécio e Serra discutem proposta de reforma tributária

Governadores se encontram em Belo Horizonte e negam divergências sobre eleições municipais

Raquel Massote e Milton F.da Rocha Filho, da Agência Estado, Agencia Estado

30 de janeiro de 2008 | 07h44

Dentro de um clima de total cordialidade e negando qualquer tipo de divergência política, principalmente em torno das eleições municipais deste ano, os governadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) se encontraram na noite de terça-feira, 29, no Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governo mineiro. A reunião, segundo os governadores, foi marcada para discutir assuntos administrativos, investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a proposta de reforma tributária. "É muito importante que estejamos com o bico muito afinado", disse Aécio.   A principal pauta do encontro, que só contou com a presença dos dois governadores, foi a discussão em torno da proposta de Reforma Tributária, que segundo o governo federal, deve ser enviada ainda este mês ao Congresso. Após o encontro, Aécio disse que ele e Serra estão atualizando alguns levantamentos "com relação a investimentos do PAC e com relação à reforma tributária, onde nós precisamos afinar um pouco a nossa posição". O governador mineiro é da opinião que "alguns pontos centrais (da reforma tributária) deveriam ser mais afinados com o governo (federal), antes mesmo do envio dessa reforma, para que ela possa chegar com um razoável consenso. A nossa disposição de construir esse consenso é grande".   Outro ponto foi a avaliação da proposta de compra conjunta de medicamentos para os dois Estados, incluindo os de alta complexidade, com o objetivo de reduzir custos. "Entre São Paulo e Minas o jogo é de soma positiva, não de soma zero, é um jogo entre ambos ganham e essa é a nossa perspectiva", concluiu o governador paulista. José Serra explicou que ele proporcionará uma grande economia para os Estados. "Medicamento é um custo cada vez maior. Portanto, é um assunto que precisa ser permanentemente enfrentado. Redução de custos, racionalização, ordenação do assunto todo, isso é fundamental e a parceria, neste caso, é muito importante".   Prefeitura de São Paulo   O mau tempo em São Paulo impediu que Serra chegasse na hora prevista, às 19 horas e a conversa só começou pouco depois das 21 horas. Ambos evitaram alimentar a polêmica em torno da escolha do candidato que irá disputar a prefeitura de São Paulo e o fortalecimento da aliança entre PSDB e DEM, com vistas às eleições de 2010. O governador paulista enfatizou "Não existe animosidade entre nós dois".   Os rumores são de que Aécio apoiaria a indicação do ex-governador Geraldo Alckmin, enquanto Serra e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso prefeririam a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). "Não podemos dar às eleições municipais um caráter maior do que elas têm. São eleições fundamentais, mas que se decidem nos municípios, em função das características políticas locais, nomes locais e não vejo link direto entre as eleições municipais com a eleição nacional", disse Aécio.   No caso das eleições para a prefeitura da capital mineira, existe a expectativa de uma aliança entre PT e PSDB, que estaria sendo costurada pelo próprio governador e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), que se encontraram na semana passada. O governador paulista evitou comentar as negociações para as eleições à prefeitura de capital mineira. "Cada partido analisa e avalia sua estratégia em cada local. A eleição municipal é eleição municipal, não vamos perder isso de vista".   Extremamente bem humorado, Serra brincou ao ser questionado se apoiaria a indicação pelo PSDB do nome do governador mineiro para disputar a presidência da República em 2010. "Posso até ajudar a gritar também, viva Aécio", afirmou. Nesta quarta, o governador paulista deve se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Aécio reforçou que existe uma disposição para o consenso. "A nossa disposição de construir esse consenso é grande". Para Serra não há o temor de embate em torno da aprovação da proposta no Congresso, da forma como ocorreu na tramitação da prorrogação da CPMF no ano passado, apesar da pressão dos governadores. "Isso já passou. Temos que olhar pra frente e raciocinar com os dados estão postos".

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