Aécio e Pimentel minimizam frente contra PT-PSDB

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), minimizaram hoje a criação de uma frente de partidos contra a aliança entre petistas e tucanos na capital mineira. A ameaça foi feita ontem pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), e pelo vice-presidente, José Alencar (PRB). Aécio e Pimentel foram diplomáticos e evitaram qualquer declaração de confronto. O governador disse que acredita na ampliação da aliança e pretende continuar conversando com todas as lideranças políticas. Mas fez questão de reiterar que a articulação é "a favor de Belo Horizonte, não contra esse ou aquele partido, contra esse ou aquele ator político". Ele negou que o ministro e o vice-presidente tenham sido atropelados durante o processo de articulação. "Todos esses atores, de alguma forma, terão seu espaço, serão convidados a participar dela (da aliança), mas aqueles que acharem que o caminho é outro terão o nosso mais absoluto respeito", disse. "Essa aliança, na verdade, não é uma construção do governador e do prefeito. Na verdade, é uma demanda da população. As pesquisas mostram isso com muita clareza. Quase 90% da população de Belo Horizonte quer a continuidade dessa relação".Já Pimentel, embora tenha classificado Costa como "amigo querido", demonstrou certo desconforto e disse que não iria polemizar sobre o eventual apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao acordo. O ministro das Comunicações afirmou que o apoio de Lula é "coisa que não existe". "O presidente está informado, agora não cabe ao presidente estar dando aval, estar participando de negociação. Esse é um assunto que tem que ser resolvido entre nós, que somos mineiros, e eu tenho certeza que o ministro Hélio Costa sabe disso".Por se considerarem alijados do processo, Costa e Alencar ameaçaram se unir ao DEM e criar uma ampla frente de partidos - contando inclusive com descontentes do PT, ligados ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias - em oposição à aliança costurada por Aécio e pelo prefeito. O ministro das Comunicações trabalha para ser candidato ao governo do Estado em 2010 e tenta minar a articulação, já que, para Pimentel, a eventual aliança pode representar o valioso apoio do governador. A mesma lógica move Patrus, que trava com o prefeito uma disputa interna pela indicação ao Palácio da Liberdade.O acordo entre PT e PSDB prevê como candidato de consenso o atual secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Márcio de Araújo Lacerda, filiado ao PSB e ligado ao ex-ministro e deputado Ciro Gomes (PSB-CE) - com quem Aécio se reunirá ainda hoje, em Belo Horizonte. "Vamos continuar conversando, acho que será possível ampliar ainda mais essa aliança", afirmou.

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