Aécio e Pimentel minimizam frente contra aliança em BH

Ameaça foi feita por Hélio Costa e pelo vice-presidente, que são contra aliança para eleições 2008

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

19 de março de 2008 | 16h03

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), minimizaram nesta quarta-feira, 19, a criação de uma frente de partidos contra a aliança  entre petistas e tucanos na capital mineira. A ameaça foi feita na terça pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), e pelo vice-presidente, José Alencar (PRB).  Veja Também:  Pimental fala à TV Estadão sobre aliança PSDB-PT Alencar e Costa fazem ofensiva Aécio e Pimentel foram diplomáticos e evitaram qualquer declaração de confronto. O governador disse que acredita na ampliação da aliança e pretende continuar conversando com todas as lideranças políticas. Mas fez questão de reiterar que a articulação é "a favor de Belo Horizonte e não contra esse ou aquele partido, contra esse ou aquele ator político".  Ele negou que o ministro e o vice-presidente tenham sido atropelados durante o processo de articulação. "Todos esses atores, de alguma forma, terão seu espaço, serão convidados a participar dela (da aliança), mas aqueles que acharem que o caminho é outro terão o nosso mais absoluto respeito", disse.  "Essa aliança, na verdade, não é uma construção do governador e do prefeito. Na verdade, é uma demanda da população. As pesquisas mostram isso com muita clareza. Quase 90% da população de Belo Horizonte quer a continuidade dessa relação". Já Pimentel, embora tenha classificado Costa como "amigo querido", demonstrou certo desconforto e disse que não iria polemizar sobre o eventual apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao acordo. O ministro das Comunicações afirmou que o apoio de Lula é "coisa que não existe".  "O presidente está informado, agora não cabe ao presidente estar dando aval, estar participando de negociação. Esse é um assunto que tem que ser resolvido entre nós que somos mineiros e eu tenho certeza que o ministro Hélio Costa sabe disso". Frente Por se considerarem alijados do processo, Costa e Alencar ameaçaram se unir ao DEM e criar uma ampla frente de partidos - contando inclusive com descontentes do PT, ligados ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias - em oposição à aliança costurada por Aécio e pelo prefeito.  O ministro das Comunicações trabalha para ser candidato ao governo do Estado em 2010 e tenta minar a articulação, já que, para Pimentel, a eventual aliança pode representar o valioso apoio do governador. A mesma lógica move Patrus, que trava com o prefeito uma disputa interna pela indicação ao Palácio da Liberdade.  O acordo entre PT e PSDB prevê como candidato de consenso o atual secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Márcio de Araújo Lacerda, filiado ao PSB e ligado ao ex-ministro e deputado Ciro Gomes (PSB-CE) - com quem Aécio se reuniria no início da noite desta quarta, em Belo Horizonte. "Vamos continuar conversando, acho que será possível ampliar ainda mais essa aliança", afirmou.  Como parte da ofensiva, Pimentel viajaria para Brasília para um encontro no final da tarde com Patrus.   Segundo o governador, é preciso compreender as movimentações políticas como "absolutamente naturais". "Ninguém poderia imaginar que uma construção dessa ousadia e com esse ineditismo não tivesse questionamentos. Alguns se sentem preteridos, é natural".

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