Aécio diz ser único com projeto de reforma política

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse na noite desta quarta-feira,17, que se for eleito irá buscar o apoio de todos aqueles que apoiam o seu projeto. E disse que é o único candidato com proposta consistente de reforma política, com redução do número de partidos. "É impossível governar com 32 partidos políticos e mais 20 a caminho, quero acabar com coligações proporcionais, mandato de cinco anos para cargos eletivos sem reeleição para que eu possa negociar com partidos políticos", afirmou ao Jornal da Record.

ELIZABETH LOPES, Estadão Conteúdo

17 de setembro de 2014 | 21h13

Questionado se fará aliança, por exemplo, com o PMDB de Renan Calheiros e José Sarney, o presidenciável tucano disse: "Sou oposição a Calheiros em Alagoas desde sempre, sou aliado do governador Teotônio Vilela (PSDB), como sou contra o grupo do Sarney no Maranhão. Eu só não faço disso um marketing eleitoral, vou governar com autoridade de quem conhece o Congresso Nacional e já liderou o principal partido do Congresso, já presidiu a Câmara dos Deputados e sabe como fazer as reformas andarem."

Na entrevista, o candidato do PSDB voltou a dizer que é o único que tem condições de derrotar a presidente Dilma Rousseff e fazer um governo que funcione em todos os segmentos. "Estamos crescendo (na mais recente pesquisa do Instituto Ibope) porque está ocorrendo a onda da razão, porque minha candidatura não é a do improviso." E direcionou suas críticas também à adversária do PSB, Marina Silvam dizendo que foi surpreendido pelo pedido que ela fez para tirar sua propaganda do ar (que faz alusão ao fato da ex-senadora ter sido dos quadros do PT). "Obviamente ela não conseguiu (tirar do ar) porque era uma bobagem, pelo simples fato de eu lembrar que ela militou por 27 anos no PT, isso é história, é um fato, ela não pode se sentir ofendida."

Inflação

Indagado sobre o fato de o ex-presidente do BC Armínio Fraga, anunciado para assumir a pasta da Fazenda em seu eventual governo, não ter cumprido a meta da inflação por dois anos, quando esteve no comando da autoridade monetária do governo de FHC, Aécio disse que isso não significa uma contradição com as críticas que vem fazendo à alta inflacionária no governo da adversária Dilma Rousseff (PT). "Os números na verdade confirmam que eu estou no caminho correto", disse, lembrando que o ex-presidente tucano, quando assumiu o poder, encontrou uma inflação de 1.600% ao ano e entregou o governo para seu sucessor, o ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva, com um índice ao redor de 12%. "O PSDB foi o partido da estabilidade da moeda, do Plano Real, se o Brasil avançou é porque tivemos essa estabilidade"

Na defesa da gestão do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, o presidenciável tucano disse que Armínio Fraga foi um dos construtores do atual pilar macroeconômico. "Um pilar que, agora, alguns candidatos, inclusive Marina Silva, que votou contra o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal quando estava no PT, dizem apoiar." E voltou a dizer que sua coligação tem a mais qualificada equipe para fazer o Brasil voltar a crescer.

Na entrevista, Aécio refutou a alegação do PT de que um dos responsáveis pelo baixo crescimento é a crise financeira global. Para ele, a responsável é a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff. "Dilma não teve a capacidade necessária para manter a confiança nos mercados, atrair investimentos e combater a inflação, por isso que nossa candidatura é a que vai enfrentar a inflação."

Ele criticou o fato de o PT jogar a responsabilidade pelo baixo crescimento na crise financeira global. "De forma alguma, essa é a explicação do governo, não me satisfaz, porque não justificaria o Brasil estar no último lugar do crescimento na América do Sul", disse.

Lei Seca

Aécio disse, novamente, que se arrepende de não ter feito o teste do bafômetro quando foi parado em uma blitz no Rio de Janeiro. Ele alegou que estava com os documentos vencidos, mas agora faria o teste. "Foi um erro, porque no meu caso a carteira (de motorista) estava vencida há 30 dias."

Ao Jornal da Record, Aécio repetiu o que havia anunciado mais cedo, que se eleito, irá rever as relações com os países vizinhos (Bolívia, Colômbia e Paraguai) que não coíbem a produção de drogas. "Não vamos permitir que o Brasil financie esses países sem que eles cumpram o seu dever de casa."

Minas

Ao falar das pesquisas eleitorais em Minas Gerais, Aécio disse que gostaria de estar em primeiro lugar em todas elas e seu candidato ao governo mineiro, Pimenta da Veiga (PSDB) também. "O Pimenta representa a continuidade deste governo (gestão tucana no Estado) honrado, não acredito que o PT, que está perdendo no País inteiro vá ganhar em Minas Gerais". Na sua avaliação, quando o nome de Pimenta estiver vinculado à gestão tucana no Estado, ele deverá crescer nas pesquisas e vencer o pleito.

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