Aécio diz que será oposição se Marina ganhar pleito

Aécio disse que vive uma "segunda eleição", iniciada quando Marina entrou na disputa em substituição ao ex-governador Eduardo Campos

LUCIANA NUNES LEAL E MARIANA SALLOWICZ, Estadão Conteúdo

10 de setembro de 2014 | 19h40

O candidato tucano à Presidência da República, Aécio Neves, criticou nesta quarta-feira a adversária Marina Silva, do PSB, por prometer governar com os "melhores nomes" de cada partido e indicou que o PSDB não cederia quadros para um possível governo da ex-ministra. "O PSDB tem duas opções nessa eleição: ou vence e é governo ou perde e é oposição", afirmou Aécio em entrevista coletiva, depois de participar de sabatina do jornal O Globo.

Aécio disse que vive uma "segunda eleição", iniciada quando Marina entrou na disputa em substituição ao ex-governador Eduardo Campos, que morreu em um acidente aéreo no dia 13 de agosto: "Precisamos nos adaptar à nova realidade".

Terceiro colocado nas pesquisas, o candidato evitou responder se apoiaria Marina no segundo turno, mas disse que todo político tem que se posicionar. O tucano lamentou a neutralidade de Marina no segundo turno de 2010, disputado entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-governador José Serra (PSDB). "Vou falar de peito aberto: todo líder político tem que ter posição, mesmo que não seja o que mais atenda aos seus interesses pessoais e políticos", disse.

Entre os nomes que Marina diz que gostaria de ver em seu governo está o de Serra, candidato ao Senado. Aécio se apresentou como o candidato com "um time de primeira linha" e representa "garantia de mudança segura". Ao atacar a estratégia de Marina de se apresentar como novidade, o tucano disse que a candidata governaria com "o terceiro time do PSDB e do PT". "O que está aí falhou, acredito que não terá outro mandato. Outra alternativa é Marina. O que é a nova política? Será que é governar com o terceiro time do PSDB e do PT?"

Questionado quem seria o terceiro time tucano, o candidato apenas exaltou seus aliados. "Não busquei o segundo melhor, o terceiro melhor. Temos um plano extraordinário para o Brasil", disse. O candidato acrescentou não conhecer aqueles com os quais a Marina vai governar. "Como vai construir maiorias, apenas com sorriso, ou pinçando nome desse ou daquele partido?" O tucano criticou Dilma pelo que considerou ataques pessoais a Marina, como a declaração de que a adversária é "sustentada" por banqueiro, em referência à ligação com Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú. "Acho deselegante a presidente fazer declarações de que Marina é sustentada por esse ou aquele setor. Você jamais ouvirá de mim esse tipo de crítica", disse.

Reeleição

Reeleito governador de Minas Gerais em 2006, Aécio disse que a reeleição "faz mal ao País", embora não tenha reconhecido como erro a aprovação da emenda constitucional que a instituiu, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, com o empenho dos tucanos. "Foi uma experiência que o Brasil buscou. A reeleição não foi votada pelo Fernando Henrique. Foi votada pelo Congresso, para os prefeitos, para os governadores. Seria cômodo eu dizer que devíamos manter a reeleição para sempre. Acho que a reeleição faz mal ao Brasil. Vivi essa experiência, fui reeleito. É uma covardia, uma disputa desigual". Aécio afirmou que Dilma "desmoralizou a reeleição". "Você vai ver os atos de campanha da presidente da República, são atos de governo".

Aécio cobrou investigação imediata do esquema de corrupção na Petrobrás, denunciado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa. "Vou reestatizar a Petrobrás, tirar a Petrobrás da política", prometeu. "Não acuso a presidente de ter se beneficiado pecuniariamente desses recursos, mas ela foi beneficiária política. Esse esquema sustentou sua base de apoio, inclusive durante seu processo de eleição. É importante o eleitor saber, antes da eleição, qual a intensidade e a participação dos citados nas denúncias", disse.

Entre as perguntas enviadas pelo Twitter, estava a de Gleber Naime, integrante da Comissão de Ética do PT e ex-secretário nacional de Comunicação do partido. O tema foi a construção de um aeroporto, durante o governo do PSDB em Minas, em uma fazenda desapropriada que pertence a parentes do tucano. "Eu acho que isso é uma desinformação muito grande. Foram milhares de obras realizadas em Minas Gerais, acompanhadas e aprovadas pelo Ministério Público, e que atendem uma enorme região do Estado, que só cresce economicamente", respondeu Aécio.

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