Aécio diz que sempre haverá 'grande espaço' para Pimentel

Governador tucano disse que o prefeito é 'uma figura que sobrepõe, que ultrapassa os limites' do PT

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2008 | 15h40

Em meio à especulação de que o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), poderá ocupar a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico ao final de seu mandato, o governador Aécio Neves  (PSDB) disse nesta terça-feira, 11, que haverá sempre "um grande espaço" no seu governo para o aliado petista. Aécio e Pimentel voltaram a trocar afagos durante a inauguração da segunda etapa da duplicação da avenida Antônio Carlos, na capital mineira.  Em seu pronunciamento, governador tucano disse que o prefeito é "uma figura que sobrepõe, que ultrapassa os limites" do PT e será "reverenciado" pela população após cumprir seu mandato. Pimentel se emocionou com as palavras do governador.  O destino do petista a partir de 1º de janeiro de 2009 - quando deixa o Executivo municipal - já começa a ser discutido nos bastidores. Uma das hipóteses é a de o atual prefeito assumir a secretaria, que era ocupada pelo prefeito eleito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB). Nesse caso, Pimentel teria de se licenciar ou mesmo deixar o PT, cujo 3º Congresso Estadual aprovou resolução em que reafirma conduta de oposição ao governo Aécio e proíbe os filiados de qualquer participação na administração estadual. Essa foi a trajetória que restou ao ex-embaixador do Brasil em Cuba, Tilden Santiago, que comprou briga com o diretório estadual petista após assumir em junho do ano passado a função de assessor para assuntos ambientais da presidência da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), atendendo a um convite do governador tucano. A filiação de Tilden foi suspensa pela Executiva do partido em Minas. Ameaçado de expulsão, em agosto ele se filiou ao PSB. Pimentel já enfrenta um desgaste nas esferas estadual e nacional do PT pela aliança com o governador na eleição em Belo Horizonte. O prefeito mira a disputa pelo Palácio da Liberdade em 2010, se possível com apoio de Aécio - hipótese considerada pouco provável caso ele permaneça no PT. Reservadamente, petistas do grupo de Pimentel apostam num convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o prefeito assuma o Ministério do Turismo.  "Seria um privilégio ter um quadro como Fernando Pimentel em qualquer governo, mas acho que talvez o presidente Lula tenha a preferência", afirmou Aécio. "Quanto ao futuro, eu acho que ele saberá definir isso, mas certamente haverá para ele, para um homem da sua qualidade, sempre no meu governo um grande espaço".  Economista e ex-secretário municipal da Fazenda, o prefeito teria o perfil ideal para assumir a pasta estadual. "Está cedo para falar disso. Agora eu quero terminar bem o mandato", desconversou o prefeito.  Em seu discurso, Pimentel afirmou que irá "embora" da Prefeitura, mas continuará cidadão de Belo Horizonte. "E com toda certeza vou assistir a muitas outras inaugurações como essa nos próximos anos".  Parceria  A inauguração do novo trecho duplicado da avenida - uma das mais importantes da capital mineira, que já consumiu investimentos de aproximadamente R$ 143 milhões dos governos federal, estadual e municipal - serviu para que Aécio e Pimentel fizessem mais uma enfática defesa da aliança política e da parceria administrativa entre o Estado e o município.  "Uma nova forma de se fazer política, compreendida por muitos, felizmente pela ampla maioria dos belo-horizontinos, mas ainda incompreendida por tantos", observou o governador.  Aécio afirmou que a população saberá reconhecer o "gesto de generosidade" do prefeito, que, segundo ele, "será não apenas lembrado, será reverenciado como um dos maiores prefeitos de toda a história da nossa capital". "Você se coloca hoje como uma figura que sobrepõe, que ultrapassa os limites do seu próprio partido".  Ao final do discurso do governador, com os olhos marejados, Pimentel deu um forte abraço em Aécio.

Tudo o que sabemos sobre:
Aécio NevesFernando PimentelPTPSDB

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.