Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Aécio diz que oposição fará aditamento em pedido de impeachment para incluir delação de Delcídio

Oposicionistas pretendem mostrar que houve ingerência de Dilma nas investigações da Operação Lava Jato e que isso a impede de seguir na Presidência

Ricardo Brito, Daiene Cardoso e Isabel Bonfim, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2016 | 18h03

BRASÍLIA - Após uma hora de reunião, partidos de oposição na Câmara e no Senado anunciaram que farão um aditamento ao pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff com base nas informações da delação premiada do senador Delcídio Amaral (PT-MS). O anúncio foi feito pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e confirmado pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG).

O aditamento será feito na próxima segunda-feira, 7, ao processo que tramita na Câmara dos Deputados e aguarda a instalação da comissão especial. Segundo Caiado, o aditamento é possível porque ainda não houve a defesa prévia da petista.

A oposição pretende mostrar que houve ingerência da presidente Dilma nas investigações da Operação Lava Jato e que isso a impede de seguir na presidência da República. Também será solicitado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o compartilhamento das informações da delação para que sejam anexadas ao processo que pode culminar com a cassação da chapa presidencial de Dilma e Michel Temer.

Ao final da reunião, Aécio disse que, se confirmada as informações delatadas por Delcídio, ficará configurado que o País vive o momento mais grave de "toda crise moral" que se arrasta nos últimos meses. "O Brasil hoje está frente ao momento mais grave dessas denúncias. Se confirmadas, a presidente Dilma Rousseff não tem mais condições de continuar governando o País", afirmou o tucano.

O dirigente tucano disse que seria uma "omissão imperdoável" das oposições não permitir que a comissão do impeachment e o plenário da Câmara não analisem as informações de Delcídio. "É algo extremamente grave e não tenho visto até agora, por parte do governo, uma condenação tão enfática que nos leve a perceber que essas denúncias não sejam verdadeiras", completou Aécio.

Cunha. Questionado se o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem condições de conduzir um processo de cassação de Dilma após se tornar réu na Lava Jato, Aécio argumentou que a decisão não cabe ao peemedebista porque é um assunto da instituição Câmara dos Deputados. Para Aécio, seria um "absurdo" se as questões envolvendo Cunha impedissem a Casa de cumprir sua prerrogativa de dar sequência no processo de impeachment.

"Seria melhor para todos o afastamento do presidente (Cunha). Mas lembro a vocês que quem preside esse processo não é o presidente da Câmara, é o presidente eleito pelo colegiado para presidir a comissão processante", declarou.

Renúncia. Após anunciar o aditamento, Aécio pediu a renúncia de Dilma em discurso em plenário. "Será que não está no momento da presidente, em um gesto de grandeza, pensando não no seu partido mas no seu País, renunciar ao mandato de presidente da República?", indagou.

Segundo o senador, a partir desta renúncia, o País poderia passar por uma transição e resgate da economia. "Para que a partir deste gesto, nós possamos iniciar uma grande agenda de retomada da confiança, dos investimentos e dos empregos para os brasileiros", afirmou.

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