Aécio diz que não será candidato em 2002

O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), negou hoje, mais uma vez, que seja candidato a presidente da República. Disse que seu partido tem muitos nomes que podem disputar a sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Recusou-se, porém, a citá-los. "Não fica bem para mim, que tenho também a incumbência de trabalhar pela união do partido, ficar falando em nomes", disse. Na viagem que fez com o presidente Fernando Henrique aos Estados Unidos, em outubro, Aécio recebeu a incumbência de acalmar as alas tucanas que giram em torno das candidaturas de José Serra (ministro da Saúde) e Tasso Jereissati (governador do Ceará) e que estão em briga quase sempre. Aécio disse que sua única intenção hoje é a de trabalhar para erguer a Câmara dos Deputados ao nível das instituições mais respeitadas do mundo.Embora seu nome sempre seja lembrado para também disputar a Presidência da República, principalmente pelos deputados tucanos, Aécio assegura que seu projeto político passa pelo governo de Minas Gerais, que pretende disputar no ano que vem. Mas, antes, terá de superar dois adversários, que também têm o mesmo desejo: o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e o ex-governador Eduardo Azeredo.Na entrevista em que negou ser candidato, Aécio foi lembrado de que na avaliação de tucanos com trânsito no Palácio do Planalto, ele conseguiria muito mais votos do que José Serra e Tasso Jereissati juntos. Mas Aécio diz que não tem os tais votos. "Não é assim não", afirmou, embora mostrasse um sorriso que traduzia muita satisfação. "Não sou dono dos votos que dizem que tenho".Ao mesmo tempo, ele procurou fazer propaganda de seu partido, o PSDB. "Qualquer que seja o candidato - e os temos, todos qualificados -, o País verá que nos últimos anos passou por modificações profundas, que não podem ser ignoradas por ninguém, principalmente nas áreas da saúde e da educação".Aécio Neves comentou a possibilidade de os partidos da base governista - PSDB, PFL, PMDB e PPB - apresentarem candidatos separados no primeiro turno. Segundo ele, o ideal seria que houvesse uma aliança. Mas, se não der, que seja feita no segundo turno. Ele defende o mês de março para a definição do nome que vai disputar a sucessão, mas acha que o prazo só se esgota em junho.

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