Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Aécio diz que governo tenta criar discurso 'alarmista' e 'distante da realidade'

Presidente nacional do PSDB desaprova o envio de telegramas, por um funcionário do Itamaraty, para todas as embaixadas do Brasil no exterior

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2016 | 15h40

Brasília – O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), criticou nesta quarta-feira, 23, o envio de telegramas por parte de um funcionário do Itamaraty para todas as embaixadas do Brasil no exterior alertando para a possibilidade de um “golpe” político no País. Para ele, o governo tenta criar um discurso “alarmista” e “distante da realidade”.

“É inaceitável a forma como a presidente Dilma tem usado instrumentos do Estado para se manter no governo”, afirmou Aécio. Para o tucano, a manifestação demonstra que Dilma não tem mais argumentos para se defender e busca criar um “estado golpista” no País. Segundo ele, a crise não vai ser com “ameaça” e atitudes antirrepublicanas que o governo resolverá a crise.

Aécio afirmou que o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff teve o rito aprovado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a própria bancada do PT chancelou o processo ao aprovar os integrantes da comissão especial da Câmara. Para o senador, pela concepção de Dilma, “seria a primeira vez na história que um golpe de Estado seria patrocinado pelo Supremo”.

O parlamentar disse ver atualmente uma “presidente nas cordas”, que não se esforça para apresentar suas justificativas em relação ao pedido de impeachment. Para ele, Dilma “inverte o jogo” e tenta acusar o País de estar tramando um golpe. “Golpe quem deu foi a presidente da República”, afirmou, mencionando promessas inverídicas feitas pela petista durante a campanha eleitoral de 2014.

O presidente do PSDB lembrou que senadores da oposição já apresentaram pedido de convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para explicar o envio de telegramas. O objetivo da oposição é tentar acelerar a aprovação da convocação do ministro na Comissão de Relações Exteriores do Senado, presidida atualmente pelo senador Aloysio Nunes (PSDB-SP).

Telegramas. O primeiro telegrama do Itamaraty para as embaixadas foi enviado por volta do meio-dia da última sexta-feira, 18. O documento solicitava que cada posto diplomático no exterior designasse um servidor para dar suporte ao diálogo entre Itamaraty e sociedade civil.

O segundo, enviado às 16h, trazia uma nota assinada pela Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong), que manifestou "profunda preocupação" com a crise política no Brasil e defendeu a luta pela democracia. "Não ao Golpe! Nossa luta continua!", finaliza o texto.

A ordem foi abortada pelo Itamaraty com um outro comunicado, em que o secretário-geral do órgão, Sérgio Danese, pediu que os telegramas anteriores fossem desconsiderados. Mesmo depois desse aviso, outra circular foi enviada, reproduzindo uma carta aos movimentos sociais da América Latina. "Denunciamos o processo reacionário que está em curso no país contra o Estado Democrático de Direito", diz o texto, que também foi anulado.

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