Aécio diz que Dilma tem de explicar caso Bolsa Família

Irônico, senador tucano sugere que presidente use cadeia de rádio e TV para falar sobre tema

atualizado em 29.05 às 8h, Erich Decat - Agência Estado

28 de maio de 2013 | 15h18

O senador mineiro Aécio Neves (PSDB) disse nessa terça-feira, 28, que a presidente Dilma Rousseff deve desculpas à população pelo fato de o governo ter omitido informações sobre a antecipação de pagamentos do Bolsa Família nos dias que sucederam a corrida dos beneficiários a caixas eletrônicos para sacar o dinheiro do programa.

 

O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, admitiram na segunda, 27, ter errado ao não dizer desde o início que o dinheiro do programa havia sido liberado antecipadamente para parte dos 13,8 milhões de beneficiários no dia 17 de maio - antes, o pagamento era escalonado no mês, a depender do número final do cartão do programa. No dia seguinte à liberação, em 18 de maio, uma onda de boatos sobre o fim do Bolsa Família levou centenas de pessoas a agências da Caixa. A Polícia Federal investiga o caso e não descarta que o pânico tenha sido motivado por essa antecipação feita sem aviso prévio.

 

"Creio que, neste instante, a senhora presidente deve um pedido de desculpa formal a todos os brasileiros", disse Aécio, recém-eleito presidente nacional do PSDB e provável candidato do partido à sucessão de Dilma nas eleições do ano que vem.

 

O tucano sugeriu que o pedido de desculpas fosse feito em cadeia nacional de rádio e TV, ironizando o fato de o artifício ser recorrentemente usado pela presidente, que deve se candidatar à reeleição, para anunciar medidas e projetos do governo.

 

Em um segundo momento, Aécio criticou o silêncio da direção da Caixa ao longo de toda a semana passada sobre a antecipação do depósito dos benefícios ocorrido antes do início dos tumultos. Em uma primeira versão, a Caixa chegou a informar que os depósitos não tinham sidos feitos, mas teve de mudar o discurso após a constatação de que alguns dos beneficiários receberam o recurso antes da data prevista. "O grave é falsear a verdade, omitir as informações. Como disse o líder (do PSDB na Câmara) Carlos Sampaio, a própria PF já sabia que esses pagamentos haviam sido antecipados. Trafegamos durante toda a semana com informação não verdadeira", disse.

 

Telemarketing. A possibilidade de os boatos terem surgido de empresas de telemarketing também é alvo de desconfiança por parte dos integrantes da oposição. O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), disse que recebeu ontem algumas informações sobre o episódio do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello. "O que me fora dito por ele, textualmente, com relação à empresa de marketing, é que apenas uma beneficiária afirmou ter recebido uma mensagem de voz. Nenhum outro (beneficiário) teria dito que foi acionado, exceto essa testemunha."

 

Outra informação, segundo Sampaio, é que até agora não há clareza sobre se os boatos tiveram origem na internet. O deputado também ressaltou que o partido pretende convidar a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, para prestar esclarecimentos na Câmara. Jorge Hereda e a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, também devem ser convidados.

 

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