Aécio diz que derrota de Anastasia derrubaria projeto de sua candidatura à Presidência

Ex-governador de MG sustenta hipótese de, na volta ao Congresso, se firmar na liderança do PSDB e tentar cargo na próxima eleição

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 17h57

BELO HORIZONTE - O ex-governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), disse nesta quinta-feira, 16, que uma eventual derrota do tucano Antonio Anastasia na sucessão estadual pode representar também a derrota de um futuro projeto presidencial por ele liderado. Pela primeira vez desde o início da campanha, Aécio, candidato ao Senado, vinculou o resultado da disputa pelo Palácio Tiradentes à hipótese de, na volta ao Congresso, se firmar como liderança nacional do PSDB e futuramente voltar a pleitear uma candidatura à Presidência.

 

Na véspera de mais uma visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Estado - nesta sexta, 17, Lula faz comício em Juiz de Fora, na Zona da Mata, ao lado da presidenciável do PT, Dilma Rousseff, e do candidato da base aliada em Minas, Hélio Costa (PMDB) -, Aécio disse que a eventual derrota de Anastasia "seria a vitória de interesses externos a Minas Gerais".

 

"E talvez a derrota do projeto de Minas. Eu acho que nós podemos pensar sim num projeto nacional para Minas Gerais no futuro, mas projeto nacional, até mesmo do governo federal, passa pela eleição de Anastasia agora em outubro", afirmou o ex-governador durante atividade de campanha em Itajubá, no sul mineiro.

 

A estratégia de nacionalizar a campanha estadual foi deflagrada pela campanha de Costa, que aposta na popularidade de Lula como cabo eleitoral e no avanço da candidatura de Dilma no segundo colégio eleitoral do País, pregando o alinhamento político entre Estado e governo federal.

 

Ao ser questionado se não se sentia um pouco decepcionado por não ter conseguido se viabilizar como candidato à Presidência, Aécio afirmou que é preciso "pensar no futuro" e trabalhar pela reeleição do atual governador. "Minas tem que continuar avançando."

 

Na pesquisa Ibope divulgada na segunda-feira, Anastasia abriu nove pontos porcentuais de vantagem sobre Costa e aparece com 41% das intenções de voto, contra 32% do peemedebista. Conforme o levantamento, o tucano seria eleito no primeiro turno. A pesquisa foi contestada por Costa.

 

Enquanto Lula e os candidatos aliados participam de comício em Juiz de Fora, Anastasia e o ex-presidente Itamar Franco (PPS) - que disputa uma cadeira no Senado com forte apoio de Aécio - fazem hoje (17) carreatas e caminhadas em quatro cidades da mesma região (São João Nepomuceno, Além Paraíba, Leopoldina e Visconde do Rio Branco).

 

Erenice

 

Durante a campanha no sul de Minas, Aécio foi sucinto ao comentar a saída de Erenice Guerra do Ministério da Casa Civil em meio a denúncias de tráfico de influência na pasta. "É preciso que as apurações sejam feitas e punidos os responsáveis", afirmou o ex-governador.

 

Ele, contudo, classificou como "gravíssimas" as acusações envolvendo o governo Lula. "O próprio governo federal e os partidos que estão lá devem ter a responsabilidade de não deixar dúvidas em relação à sociedade brasileira, se pactua ou não com esses atos descabidos muito próximos à sede do governo federal", disse.

 

Em Belo Horizonte, ao falar sobre o pedido de demissão da ministra, Anastasia disse que durante o governo do PT no âmbito federal "não houve o prestígio da profissionalização e da meritocracia." Coordenador do chamado choque de gestão do governo Aécio, o atual governador tucano avaliou que a saída de Erenice "demonstra de fato que a situação é grave" e "possivelmente" afetará a campanha de Dilma.

 

"Não vi nenhuma política pública do âmbito federal que prestigiasse a formação permanente dos servidores, processos de certificação dos servidores. Isso não aconteceu", afirmou.

 

Segundo ele, nos países avançados, "o primeiro passo é sempre prestigiar a formação da própria estrutura administrativa." "Mas no governo federal aparentemente não e acaba que isso também leva a episódios também como este."

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