Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Tucanos evitam assumir indicações no governo Temer

Deputado Bruno Araújo ocupará o ministério das Cidades, o senador José Serra a pastas das Relações Exteriores e o advogado Alexandre de Moraes o Ministério da Justiça

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 17h50

Depois de um intenso processo de debate interno que envolveu todas as instâncias partidárias, o PSDB emplacou três ministros na gestão do presidente interino Michel Temer (PMDB), mas afirma que os escolhidos não fazem parte da “cota” da legenda na Esplanada.

Essa foi a solução encontrada para contemplar os governadores tucanos, que se manifestaram contra a ocupação de cargos, e ao mesmo preservar o partido de eventuais desgastes na administração.

O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, disse que considera “altamente qualificados” os nomes do partido que ocuparão ministérios na gestão Michel Temer (PMDB): o deputado federal Bruno Araújo (PE), em Cidades, o senador José Serra (SP) no Itamaraty e o advogado Alexandre de Moraes (SP) na Justiça. Aécio afirma, porém, que a sigla não foi responsável pelas indicações.

“Os nomes são altamente qualificados e desejo sucesso nas funções que irão exercer, porém o apoio do PSDB ao novo governo, como eu já disse e reitero, por decisão da direção executiva, independerá dos nomes convidados”, disse o senador ao Estado. “Esperamos e confiamos que Temer possa colocar em curso os pontos centrais que o PSDB apresentou a ele”, concluiu.

“O PSDB não tem cota. Não pedimos cargos, só queremos que os princípios que apresentamos sejam seguidos. O apoio (a Temer) será incondicional”, complementa o deputado Silvio Torres (SP), secretário-geral do partido.

Ele classificou o trio de ministros tucanos como “altamente qualificados”.

Sugestão. Apesar do tom de desprendimento do discurso oficial tucano, deputados da legenda dizem, reservadamente, que Araujo foi uma indicação de Aécio que contou com o apoio da bancada na Câmara. O senador teria, ainda, tentado emplacar o senador Tasso Jereissati (CE) no Desenvolvimento, o que contemplaria a bancada no Senado. Já Serra e Moraes seriam de fato escolhas pessoais de Temer.

Aliados do vice-presidente dizem que Aécio apresentou suas sugestões em uma reunião com Temer no Palácio do Jaburu, o que o senador nega. O vazamento dessa versão irritou o presidente do PSDB, que reforçou o discurso de apoio incondicional, mas independente.

Idas e vindas. Logo após a votação da admissibilidade do processo de impeachment na Câmara, a primeira reação do PSDB foi rejeitar com veemência a possibilidade ocupar cargos em eventual novo governo.

Uma ala do partido chegou a defender que os filiados que quisessem ocupar cargos oferecidos por Temer teriam que se licenciar da legenda.

A ofensiva foi uma reação a aproximação direta de Serra com Temer. Os dois são amigos e mantêm uma boa interlocução desde os tempos que eram estudantes universitários, nos anos 1960. Nas conversas seguintes entre o PSDB e Temer, os tucanos passaram a exigir do vice-presidente que o diálogo ocorresse em caráter “institucional”.

Em um encontro com o vice, o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PA) foi direto ao ponto. “Não queremos que o PMDB faça com o PSDB, o que o PT fez com o PMDB”.

Em outra frente, os governadores tucanos passaram a defender o apoio sem cargos, o que ampliou a pressão sobre o senador Aécio Neves.

‘Participação convidada’. Terminada a fase de articulações, os governadores aceitaram a solução de “participação convidada”. No caso de Alckmin, seus aliados insistem que Alexandre Moraes não foi uma indicação do governador. Segundo aliados do governador, ele nem sequer foi consultado antes da primeira sondagem de Temer ao então secretário de Segurança, em abril.

Dos três tucanos com vaga na Esplanada dos Ministérios, Bruno Araújo, das Cidades, é quem terá mais “tinta na caneta”.

Sua pasta, as Cidades, que antes era comandada pelo ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), é responsável, por exemplo, por políticas de desenvolvimento urbano, ações setoriais de habitação, saneamento ambiental, transporte urbano e trânsito e participação na formulação das diretrizes gerais para conservação dos sistemas urbanos de água, entre outras atribuições.

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