Aécio diz que apoiaria outro candidato do PSDB à Presidência

Governador afirma que, se Serra estiver melhor cotado em 2010, sai da disputa, mas cobra isonomia do partido

Paulo Maciel, da Agência Estado,

18 de janeiro de 2008 | 06h06

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse que poderá apoiar outro nome tucano para a presidência nas próximas eleições. Ele é cotado juntamente com o governador de São Paulo, José Serra, como candidato pelo PSDB.  Durante o programa Entrevista Record, da Record News, nesta quinta-feira, 17, ele disse que não basta ter o desejo para se tornar presidente da República. "Isso não depende apenas de mim", disse e garantiu não ter obsessão de chegar ao cargo. O governador mineiro disse que pode apoiar José Serra, caso o governador paulista esteja em melhores condições em 2010, mas cobra isonomia de tratamento. "Se não ocorrer (a própria candidatura), eu estarei absolutamente confortável apoiando a candidatura de José Serra", prometeu.  "Tenho certeza de que se as condições melhores de aglutinar sejam em torno de meu nome, ou de algum outro, o governador Serra também dará apoio", disse o governador mineiro. CPMF Aécio Neves voltou a lamentar a decisão dos senadores tucanos de não aprovar a prorrogação da CPMF. "A nossa bancada achou que era melhor impingir uma derrota ao governo do que garantir os recursos para a saúde", alfinetou. Como voto vencido dentro do PSDB, ele afirmou que teria sido mais adequado que a desoneração tributária ocorresse com outros impostos. Mas também criticou a demora do governo em apresentar a proposta de utilizar todos os recursos da CPMF na saúde. "Eu preferiria que pudéssemos investir os recursos na saúde no Brasil inteiro, o que seria uma vitória política porque capitalizaríamos como sendo o partido que levou o governo a investir mais recursos na área. Além disso, abriríamos espaço inclusive para negociarmos a desoneração de alguns outros tributos em benefício das pessoas", disse Aécio. Reformas Aécio disse ainda que o atual governo perdeu uma oportunidade de ouro para aprovar as reformas estruturais do País, no ano passado, logo após a reeleição do presidente Lula. "O governo preferiu não utilizar um tripé extremamente favorável: os indicadores macroeconômicos internos extremamente sólidos, um ambiente internacional de crescimento da economia continuado e um presidente com ampla base de apoio político e popular", lembrou. O governador mineiro citou entre os projetos que consideraria prioritários a reforma política, trabalhista e previdenciária, além da tributária. "O governo parece não querer desagradar regiões que parecem querer continuar com a guerra fiscal", criticou. "Perdeu a oportunidade de fazer e eu não acredito, sinceramente, que haja mais tempo para fazer as grandes reformas."

Mais conteúdo sobre:
Aécio Neveseleições 2010

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.