Aécio diz que adversária tem ‘memória fraca’

Segundo senador, gestão de Lula na Presidência também não investiu em metrô das capitais brasileiras

Pedro Venceslau, Enviado especial - O Estado de São Paulo

25 Outubro 2013 | 22h50

São José do Rio Preto - Em visita ao interior de São Paulo para fazer o encerramento de um congresso com prefeitos da região noroeste do Estado, o senador Aécio Neves respondeu às críticas indiretas feitas nesta sexta-feira, 25, pela presidente Dilma Rousseff ao PSDB na Presidência - segundo ela, o governo "tinha que pedir autorização do FMI (Fundo Monetário Internacional) para investir", daí o fato de não colocar dinheiro em metrô.

"Dilma está com a memória fraca. Durante a gestão do presidente Lula as principais capitais do Brasil ficaram esperando recursos federais, que não vieram. Não houve um palmo de metrô em Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. No mundo inteiro, tradicionalmente, é o governo federal que precisa apoiar as obras estruturantes. Não sei onde estão as obras que o PT fez nesses 11 anos de governo", disse o provável candidato do PSDB ao Planalto em 2014.

Também no evento, o senador tucano Aloysio Nunes (SP) foi na mesma linha." É bom mesmo que ela não precise pedir (autorização). Se precisasse, o FMI não daria. A apreciação que o FMI tem do desempenho do governo Dilma é a pior possível."

A participação de Aécio no 7.º Congresso de Municípios do Noroeste Paulista ocorreu dois dias depois de o ex-governador José Serra (PSDB) chegar de surpresa ao mesmo evento acompanhado apenas de um segurança e uma secretária.

Já o mineiro chegou à cidade acompanhado de um séquito formado pelas principais lideranças tucanas no Estado, entre elas vários serristas históricos.

No momento em que a cúpula nacional do PSDB toma cuidado com as palavras para evitar o acirramento entre seus dois pré-candidatos, a cúpula aecista deu uma demonstração pública de força ao levar para Olímpia junto com senador o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Samuel Moreira, o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio, o presidente estadual do PSDB, Duarte Nogueira, além de três secretários do governador Geraldo Alckmin - José Aníbal (Energia), Bruno Covas (Meio Ambiente) e Julio Semeghini (Planejamento).

Alckmin chegou a articular sua participação, mas desistiu para não melindrar Serra.

A comitiva de Aécio começou o roteiro em São José do Rio Preto, cidade considerada um reduto serrista. Questionado sobre as declarações recentes do ex-governador, que afirmou ser "improvável" mas não "impossível" disputar o Palácio do Planalto, Aécio foi diplomático.

"Acho muito bom que o PSDB possa ter um quadro da qualidade de José Serra disponível para qualquer candidatura. Isso tem que ser saudado por nós, e deve preocupar os nossos adversários, que acreditaram sempre na divisão do partido. Nós não temos a menor necessidade de antecipar a definição de candidaturas". As declarações de Serra já eram esperadas por Aécio.

Tripé. Em suas críticas ao governo Dilma feitas nas duas visitas, o senador mineiro casou seu discurso com o da ex-ministra Marina Silva sobre o descuido com o "tripé econômico". "Ao administrar a economia de forma temerária, a inflação recrudesce e os pilares fundamentais da nossa economia - câmbio flutuante, meta de inflação e superávit primário - são colocados em risco extremo", afirmou o senador tucano.

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