Aécio diz na TV que ciclo do PT foi importante, 'mas já deu'

Provável candidato do PSDB à Presidência participou do Programa do Ratinho

Bruno Boghossian - O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2013 | 23h25

Em uma estratégia para tornar sua imagem mais conhecida nacionalmente, o presidente do PSDB e provável candidato à Presidência da República, Aécio Neves, participou na noite desta quinta-feira, 23, do Programa do Ratinho. Em uma entrevista informal com o apresentador do SBT, o tucano disse que a gestão do PT no governo federal "foi importante", mas declarou que "está na hora de mudar".

"O Brasil não está bem. A saúde não está bem, a educação não está bem, a segurança não está bem. Eu acho que esse ciclo do PT foi importante na ampliação dos programas de transferência de renda, mas já deu. Está na hora de mudar. Está passando da hora de mudar", disse o senador. "O PT perdeu a capacidade de sonhar e transformar o Brasil."

Aécio tentou adotar um discurso informal no programa, que é voltado para a audiência das classes C e D. Apresentou o PSDB como "o partido do Plano Real, da estabilidade econômica e que iniciou os programas de transferências de renda", e explicou aos espectadores como funciona o Congresso.

O senador participou de três blocos, em um total de 25 minutos de entrevista. Segundo produtores do programa, a emissora estava em segundo lugar no ranking de audiência do horário.

Tanto o apresentador Ratinho quanto Aécio foram cautelosos durante a entrevista para não ferir a legislação eleitoral. "Ainda não tem candidato! Senão a gente leva uma multa já, já", alertou o tucano. "Eu tenho muita vontade de fazer algo diferente do que está aí, algo mais ético", disse.

Aécio fez elogios ao governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), de quem busca um apoio mais expressivo. Sobre o ex-governador José Serra, seu desafeto dentro do PSDB, disse esperar que ele apoie "o candidato do PSDB, quem quer que seja".

Bolsa Família. Durante o programa e em uma entrevista antes de entrar no ar, Aécio disse que o programa Bolsa Família está "consolidado" e que seu partido não pretende mudá-lo caso chegue ao governo federal na próxima eleição. Aécio, no entanto, afirmou que o projeto deve ser temporário e precisa ser complementado com a qualificação profissional dos beneficiados.

"O Bolsa Família tem que ser uma passagem, e não um fim. Já estamos na terceira geração que recebe o Bolsa Família. Esse não é o Brasil que eu quero", afirmou o senador.

Na mesma semana em que circularam boatos de que o governo federal pretendia acabar com o programa, Aécio declarou que é favorável à manutenção dos pagamentos.

"O Bolsa Família est á consolidado e faz parte da paisagem social brasileira. Ninguém vai mexer nisso e nós muito menos, mas queremos algo mais. Isso se faz com qualificação e com o resgate da indústria brasileira", disse.

O tucano voltou a atrelar o Bolsa Família, uma das principais marcas dos governos federais do PT, à gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Se nós encontrássemos uma forma de fazer o DNA dos programas sociais, encontraríamos Fernando Henrique Cardoso e o PSDB. O Bolsa Família nada mais é que a unificação do Bolsa Alimentação, do Bolsa Escola e do Vale Gás, criados em 2001 no governo Fernando Henrique", afirmou.

Aécio disse que o sucessor de FHC, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve o "mérito" de unificar os programas.

O presidente do PSDB criticou principalmente a gestão da presidente Dilma Rousseff (PT), e reforçou que o Brasil corre o risco de ser atingido pela "bomba-relógio" da inflação.

"Quando eu falo dessa preocupação, eu não estou torcendo para que a inflação aumente. É um alerta, porque o governo vem aumentando de forma rigorosa os gatos correntes mais do que o crescimento da economia, e essa é uma conta que não fecha", disse.

Aécio declarou também que há uma "insegurança" entre investidores estrangeiros em relação ao Brasil devido ao "intervencionismo" do governo brasileiro na economia.

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