Aécio diz estar à disposição de Lula para diálogo permanente

Um dia após ser reempossado, o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), disse nesta terça-feira que está "à disposição" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um permanente diálogo sobre "as questões que interessam ao País". Embora tenha feito críticas à condução da política econômica, o tucano deixou claro que no início do seu novo mandato não pretende instituir uma relação conflituosa com o Planalto. "Acho que só os fracos é que temem conversar com seus adversários, como se isso significasse algum tipo de submissão. Ao contrário. O governador de Minas, se convocado pelo presidente da República, estará à disposição para conversar sobre as questões que interessam ao País", disse Aécio, após a solenidade de posse de seu novo secretariado, no Palácio da Liberdade.O governador mineiro afirmou também que espera que Lula "construa esse diálogo com todas as forças políticas do País". "Sou oposição ao governo porque nós perdemos as eleições, mas eu jamais serei oposição ao Brasil. E jamais deixarei de acreditar naquilo que acreditava porque nós perdemos as eleições. Não contem comigo para uma oposição do quanto pior, melhor", disse Aécio, que recebeu a visita do candidato presidencial tucano, Geraldo Alckmin, convidado para participar de uma missa solene na sede do governo mineiro.Um dos nomes mais cotados para a disputa pela Presidência em 2010, Aécio manteve boas relações com Lula durante o primeiro mandato e não esconde que espera ampliar as "parcerias" com o governo federal nos próximos anos - "em inúmeras áreas", salientou. "Vale lembrar que parcerias, alianças estratégicas e unidade de ação não significam uniformidade de pensamento", afirmou em seu discurso.Ele aproveitou a presença na cerimônia do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), para destacar a "capacidade de articulação" de seu governo. "As divergências, naturais em uma sociedade democrática, devem ser colocadas sobre a mesa e discutidas à luz do interesse coletivo e do bem comum". SocialNo segundo mandato, Aécio quer também dar uma marca social à sua administração, fortemente simbolizada pelo chamado choque de gestão. O governo decidiu desmembrar secretaria de Desenvolvimento Social e Esportes em duas pastas. O secretário de Desenvolvimento Social, Custódio Mattos, já disse que a intenção é firmar parcerias com Ministério do Desenvolvimento Social - do mineiro Patrus Ananias - para ações conjuntas no Estado.No que chamou de "Estado para Resultados", o governador citou dez compromissos de seu novo governo, entre eles a promoção do desenvolvimento das regiões norte, vales do Jequitinhonha e Mucuri, além da redução da população pobre.Choque de gestãoO governo mineiro prepara um novo choque de gestão, batizado de "2ª geração". Todo o gerenciamento administrativo ficará a cargo do vice-governador Antonio Augusto Anastasia. O foco primordial é a melhora da qualidade do gasto público. "Não basta ter o dinheiro e fazer. Tem de fazer bem e barato. Quanto mais fizermos isso, mais a população sentirá no seu cotidiano o efeito positivo do equilíbrio fiscal", disse Anastasia ao Estado.O secretário lembra que nos dois primeiros anos do primeiro mandato, o governo Aécio viveu uma "situação hemorrágica" nas finanças públicas, mas agora o Tesouro estadual já conta com "recursos razoáveis" para investimentos. "Em 2003, com recursos apenas do Tesouro, o investimento não chegou a R$ 300 milhões. Esse ano que está entrando serão R$ 1,8 bilhão". EconomiaFalando sobre a principal "vitrine" de sua administração, Aécio aproveitou para cobrar do governo federal a redução dos gastos correntes e uma política econômica "mais arrojada". Ele afirmou que o crescimento do Estado só não é maior por conta das baixas taxas federais. "É preciso que o Brasil nos ajude", disse. "Vejo o presidente com até boas intenções, dizer que o País pode crescer 5%, mas essas boas intenções não têm sido acompanhadas de ações concretas, como, por exemplo, o enxugamento da máquina pública. Continuo vendo com muita cautela as ações do governo federal para que o Brasil possa sair dessa paralisia e crescer em níveis mais vigorosos".

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