Omar Freire/Divulgação
Omar Freire/Divulgação

Aécio desiste de pré-candidatura à presidência pelo PSDB

Mineiro se pronunciou por meio de carta, na qual lamenta a ausência de prévias no partido

Eduardo Kattah, Carol Pires e Ana Conceição, da Agência Estado,

17 de dezembro de 2009 | 16h09

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, anunciou na tarde desta quinta-feira, 17, a desistência de sua pré-candidatura à Presidência da República pelo PSDB. A decisão abre o caminho para a consolidação da candidatura do governador paulista, José Serra, que divulgou nota elogiando a "grandeza" do colega tucano. Nos bastidores da oposição, é grande a movimentação para que Aécio aceite formar uma chapa puro-sangue com Serra, aceitando a vaga de vice.

 

Acompanhado do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), do secretário-geral, deputado Rodrigo de Castro e do vice-governador Antonio Anastasia, Aécio leu uma carta que foi entregue a Guerra numa reunião realizada na manhã desta quinta-feira, em Belo Horizonte. Nela, o governador mineiro lamenta a ausência de prévias no partido, mas reafirma sua disposição em colaborar com o projeto tucano.

 

"Deixo a partir deste momento a condição de pré-candidato do PSDB à Presidência da República, mas não abandono minhas convicções e minha disposição para colaborar com meu esforço e minha lealdade para a construção das bandeiras da Social Democracia Brasileira", diz o texto lido pelo governador mineiro.

 

Em entrevista após o anúncio, Sérgio Guerra disse ser "improvável" a possibilidade de uma chapa puro sangue, com Serra como candidato e Aécio como vice. Para setores da oposição, essa seria a melhor fórmula para derrotar a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, para a sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. A ministra-chefe da Casa Civil é a favorita do presidente.

 

Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), no entanto, Aécio se tornou "um grande ativo" para o partido, uma vez que percorreu muitos Estados do País em busca do apoio de líderes locais da oposição e da base de apoio a Lula.

Chapa puro-sangue

Para o senador amazonense, o desafio de Serra, agora, será o de conquistar o apoio de Aécio Neves para comporem uma chapa puro-sange. "Seria ideal", disse o senador tucano.

"O partido agora precisa colocar todas as forças no Aécio. Ele e Serra poderiam fazer 30 ou 35 milhões de votos no Sul e Sudeste. E o Aécio não precisa ser um vice apagado, é preciso saber compor esta vice-presidência, para que ele seja um vice-presidente com projeção, com projeto de uma futura presidência", disse.

 

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Aécio havia estipulado o início de janeiro como prazo final para tomar uma decisão sobre seu futuro político, mas vinha dando sinais de que a desistência já seria um fato consumado. Há pouco mais de uma semana, o governador mineiro chegou a dizer que anteciparia o anúncio para esta semana, após uma conversa que teria com o colega paulista. Aécio defendia uma definição do PSDB sobre a candidatura do partido à Presidência ainda em 2009, com vistas a acelerar o processo de formação de alianças no campo da oposição.

 

Segundo Sérgio Guerra, "o caminho mais provável" agora é que Aécio Neves dispute o Senado. O presidente do PSDB disse, no entanto, que este assunto não foi discutido no encontro que teve nesta quinta com o governador mineiro. Na carta lida pelo governador mineiro, não há dicas sobre quais serão os próximos passos de sua carreira política. O mandato como governador termina no fim de 2010.

 

Serra, por sua vez, continua negando que seja pré-candidato à Presidência. Ainda assim, ele aparece como favorito à sucessão de Lula em todas as pesquisas eleitorais. O governador paulista participou de evento na tarde desta quinta-feira. Demonstrando bom humor, fez um rápido discurso e saiu sem falar com a imprensa. Mais tarde, em nota divulgada por sua assessoria, o governador paulista elogiou o ato do colega mineiro. Serra foi convidado na quarta-feira, 16, pelo próprio Aécio, a participar do anúncio desta quinta, mas negou alegando problemas de agenda.

 

'Tudo bem'

 

Sérgio Guerra foi informado por Aécio de que havia tomado a decisão na segunda-feira. O governador pediu a Guerra, então, que fosse até Minas Gerais para que pudessem conversar. Segundo o senador pernambucano, Serra lhe telefonou logo após o anuncio feito por Aécio em Belo Horizonte. "Serra também já falou com o Aécio, está tudo bem", limitou-se a dizer Sérgio Guerra.

 

Em um coquetel de confraternização dos partidos de oposição - PSDB, DEM e PPS -, na terça-feira, parlamentares dos três partidos comentaram, em discursos e em conversas reservadas, que a chapa pura do PSDB à presidência da República era "a chave da vitória da oposição".

 

O presidente do PPS, Roberto Freire, e o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disseram ainda, em discursos, que os dois partidos não tinham a pretensão de indicar os candidatos à vice.

 

Carta

 

Nos primeiros parágrafos da carta entregue a Sérgio Guerra, Aécio explicou a razão de sua insistências na realização de prévias no PSDB. "Acredito que teria sido uma extraordinária oportunidade de aprofundar o debate interno, criar um sentido novo de solidariedade, comprometimento e mobilização, que nos seriam fundamentais nas circunstâncias políticas que marcarão as eleições do ano que vem."

 

Aécio reforçou o argumento de que sua pré-candidatura teria condições de ampliar a aliança da oposição. Nos últimos meses, Aécio vinha tentando se aproximar de outras siglas, entre elas PDT e o PSB de Ciro Gomes, com quem protagonizou aparições em público.

 

"Ao apresentar o meu nome, o fiz com a convicção, partilhada por vários companheiros, de que poderia contribuir para uma construção política diferente, com um perfil de alianças mais amplo do que aquele que se insinua no horizonte de 2010," afirmou na carta.

 

Quanto ao prazo de definição do nome tucano à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Aécio lembrou sua principal divergência com o governador de São Paulo, José Serra. "Sempre tive consciência de que uma construção com essa dimensão e complexidade não poderia ser realizada às vésperas das eleições", argumentou.

 

Por fim, ele admite que sua "participação não poderia mais colaborar para a ampla convergência que buscava construir", o que justificaria sua desistência do pleito. "Busco contribuir, dessa forma, para que o PSDB e nossos aliados possam, da maneira que compreenderem mais apropriada, com serenidade e sem tensões, construir o caminho que nos levará à vitória em 2010."

 

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