Aécio descarta ser vice caso perca prévias

Para mineiro, que veio a SP mas não se encontrou com Serra, é preciso abrir espaço para outras forças

Julia Duailibi, Sonia Racy e Gabriel Manzano Filho, O Estadao de S.Paulo

20 de fevereiro de 2009 | 00h00

O governador de Minas, Aécio Neves, classificou ontem de presunçosa a adoção de uma candidatura puro-sangue no PSDB para disputar a Presidência em 2010 e descartou qualquer possibilidade de ser candidato a vice-presidente numa chapa encabeçada pelo governador paulista, José Serra (PSDB). "Não vejo sentido prático. Nem eu preciso de espaço para eventualmente apoiar o governador José Serra, nem ele precisará de espaço para eventualmente me apoiar, se essa for a decisão majoritária do partido", disse Aécio, após visita ao vice-presidente, o também mineiro José Alencar, que se recupera em São Paulo de uma cirurgia.A chapa puro-sangue agrada a setores do PSDB, principalmente ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Aécio, no entanto, avalia que, se não for candidato à Presidência, tem como caminho natural o Senado. Para o mineiro, o PSDB deve ceder a vice para outro partido. "Devemos abrir espaço, sim, para outras forças políticas, eventualmente até representantes de outras regiões do País. Me pareceria algo presunçoso o PSDB achar que sozinho, num quadro político tão plural como o brasileiro, possa reunir as forças necessárias para vencer as eleições", completou.Ao defender, mais uma vez, as prévias tucanas, ele disse que a candidatura do partido não deve ser "imposta". "A candidatura do PSDB será aquela que apresentar maior naturalidade e maior capacidade, não apenas de vencer os indicadores de pesquisas, mas de aglutinar forças políticas." Um dos argumentos a favor de Serra é a liderança que ele tem nas pesquisas de intenção de voto. Para Aécio, as viagens que propõe fazer pelo País com Serra, durante as prévias, servirão de contraponto "à movimentação que o outro lado vem fazendo sem muitos limites, sem cuidados". Apesar de poupar a pré-candidata do PT, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), afirmou que é preciso cuidado para "não vincular as andanças pelo País a uma corrida eleitoral". Pediu ao governo federal que coloque "limites" e defina de forma clara "a diferença entre ação governamental e ação eleitoral".O governador, no entanto, afirmou que o PSDB "deve, além apenas de criticar, apresentar alternativas" e cutucou o PT ao citar a "ocupação pelos companheiros nos espaços públicos". Nessa semana, o PSDB e o DEM entraram com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o que consideram campanha antecipada do presidente Lula e da ministra Dilma. Aécio disse que após o carnaval se encontrará com Serra para debater o modelo das prévias. Ele quer uma campanha conjunta por cinco ou seis capitais do País. Essa é a melhor saída, diz o governador, para lidar com a candidatura de Dilma Rousseff. "Ela já está nas ruas. E o que o PSDB vai fazer? Entrar com uma representação cada vez que ela fizer campanha?" Segundo Aécio, "não dá pra fazer isso, é uma coisa que até chateia. É bobagem".

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