Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Aécio descarta pedido de ouvir Lula em CPI

Para presidente do PSDB iniciativa de empreiteiras da Lava Jato de buscar ex-presidente a é tratar o Brasil como se fosse 'uma republiqueta'

Daiene Cardoso e Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2015 | 14h50

Brasília - O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou nesta sexta-feira, 20, que a decisão de emissários de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato de recorrer a uma interferência política do ex-presidente Lula é tratar o Brasil como se fosse "uma republiqueta". O tucano, contudo, descartou em um primeiro momento, um eventual pedido de ida do ex-presidente a CPI da Petrobrás que será instalada na próxima semana.

Reportagem do Estado publicada nesta sexta revelou que Lula e seu sócio Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, têm recebido emissários de empreiteiros que são alvos da Operação Lava Jato desde o fim do ano passado. Eles querem a ajuda do ex-presidente para evitar o colapso econômico das empresas.


"Recorrerem a um ex-presidente como se o Brasil fosse uma republiqueta onde a interferência política pudesse mudar o rumo de investigações é desconhecer a realidade de um País que, se não avançou nos seus procedimentos éticos em razão do que aconteceu nos últimos 12 anos, felizmente avançou do ponto de vista da solidez das instituições", afirmou Aécio, em entrevista coletiva no Senado.

Ao contrário do que defendeu esta manhã outros integrantes da oposição, o presidente do PSDB descartou, em um primeiro momento, um eventual pedido de ida do ex-presidente a CPI da Petrobrás que será instalada na próxima semana. Aécio disse que não vai tomar uma "iniciativa individual" na direção de chamar Lula para depor na CPI, embora tenha ressaltado que a comissão tem de estar aberta a "todas as possibilidades".

O tucano disse que o PSDB vai atuar em conjunto com os partidos de oposição na CPI, sob a coordenação do líder da bancada na Câmara, Carlos Sampaio. Ele ressalvou que é preciso ter uma estratégia bem traçada. "Como vocês sabem, nós somos minoria na comissão e não temos os postos de comando, mas nós certamente podemos, amparado, na realidade dos fatos e com a opinião pública, fazer com que esta CPI efetivamente funcione", disse.

CPI. Logo após a declaração de Aécio, Carlos Sampaio explicou a tática da oposição na CPI. A intenção é apresentar logo no início dos trabalhos pedidos de quebras de sigilo bancário, telefônico e fiscal e de convocação dos ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci, do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, do ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, do ex-gerente de Engenharia Pedro Barusco, entre outras pessoas. Também defendeu a criação de três sub-relatorias - uma de Sistematização, outra Operacional e uma terceira sobre o Núcleo Político - com o objetivo de aprofundar as investigações.

Para justificar a criação de sub-relatorias, o líder do PSDB disse que as CPIs que funcionaram para valer no Congresso, como a dos Correios e a dos Sanguessugas, que investigou o mensalão, se valeram desse expediente. Assim como Aécio, Sampaio disse que uma eventual ida do ex-presidente à comissão não está entre as prioridades da oposição. 

Segundo ele, ainda não há uma "conexão direta" de que ele está interferindo politicamente no processo, uma vez que Lula negou ter recebido as empreiteiras envolvidas na Lava Jato. Foi o sócio do ex-presidente Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, quem confirmou ao Estado as tratativas com emissários de envolvidos na operação. "Se tivermos uma ligação que ele (Lula) está tentando fazer alguma conexão política, aí é o momento para ele depor", disse. 

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