Aécio descarta deixar presidência do PSDB se for disputar prévia

Senador e presidente nacional do partido afirma que não deixará presidência da sigla se houver disputa interna por candidatura nas eleições presidenciais em 2014

Pedro Venceslau, enviado especial a Barretos-SP, e João Domingos,

24 de agosto de 2013 | 14h27

BARRETOS (SP) - O senador Aécio Neves (MG) afirmou neste sábado, 24, que não vai deixar o comando nacional do PSDB se o partido promover prévias para definir o candidato tucano à Presidência da República em 2014. O mineiro é o nome com maior apoio na cúpula da sigla para a corrida ao Planalto, mas o ex-governador José Serra (SP) disse cogitar a hipótese de disputar a indicação.

“Fui eleito. Não costumo renunciar aos cargos que ocupo”, disse Aécio ao Estado em Barretos (SP). Em março de 2010, o tucano deixou o governo de Minas para se candidatar ao Senado. Na quarta-feira, 21, em Brasília, Serra disse aos jornalistas que aceitaria participar de prévias, desde que todos os pré-candidatos conheçam as regras e disputem em igualdade de condições.

A viagem de Aécio ao interior paulista – na sexta-feira, ele passou por Ribeirão Preto – foi a primeira etapa de um giro que o senador fará pelo Brasil para consolidar seu nome como candidato ao Planalto. Prefeitos tucanos, deputados estaduais e federais e integrantes do governo Geraldo Alckmin, como o secretário José Aníbal (Energia), acompanharam o mineiro.

A ausência mais sentida foi a do próprio Alckmin. O governador era esperado pela comitiva, mas decidiu não encontrar o senador para não “melindrar” Serra, segundo pessoas próximas. Aécio minimizou a ausência do governador, alegando que “não tinha previsão” sobre a companhia de Alckmin.

No périplo por Barretos, Aécio aproveitou para criticar o governo federal e disse ser “natural” a recuperação da avaliação da gestão Dilma mostrada neste sábado pela pesquisa Ibope/Estado. Ao visitar o Hospital Infantojuvenil Luiz Inácio Lula da Silva, vinculado ao Hospital do Câncer de Barretos, o senador disse que o programa Mais Médicos seria “tapar o sol com a peneira”.

Massas. Enquanto Aécio roda o interior de São Paulo, Serra tenta neutralizar o apoio que o senador tem na cúpula do PSDB recorrendo à militância do partido. Escolhido candidato a presidente da República, a governador e a prefeito mais de uma vez em acordos realizados no primeiro escalão do tucanato, o ex-governador agora aposta no que seus aliados chamam de “massa” de filiados para eventuais prévias da sigla.

A estratégia que Serra tem explicado a seus apoiadores é mobilizar os filiados de Estados-chave, como São Paulo, para constranger a cúpula partidária mais próxima de Aécio na direção nacional e nos demais diretórios estaduais. Para o ex-governador, esse seria o caminho para reverter o favoritismo do senador, já lançado como nome do PSDB ao Planalto pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Esse caminho, porém, tem percalços, e não são poucos. Primeiro, a cúpula do PSDB não está disposta a resolver de forma emergencial a bagunça que é o cadastro de militantes. Embora sejam registrados mais de 1,3 milhão, não se sabe ao certo quantos são os filiados de fato.

Em segundo lugar, a direção do PSDB considera que a realização de prévias é um problema interno do partido, que não deve consumir energias no momento em que a legenda tenta conquistar novos filiados a tempo de tornar vários deles candidatos nas eleições de 2014.

Depois de ter dito na terça-feira, 20, que aceita as prévias pedidas por Serra, na condição de que só sejam feitas depois de outubro, Aécio orientou aos dirigentes estaduais a “tocar a vida”.

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