Aécio deixa governo de MG e passa cargo para Anastasia

Tucano não admite outra hipótese que não seja concorrer ao Senado e tem demonstrado que prioridade é fazer o sucessor

Eduardo Kattah - O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 17h04

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), se desincompatibiliza nesta quarta-feira, 31, do cargo, deflagrando a sucessão estadual. Aécio passará o bastão para o vice e pré-candidato tucano, Antônio Anastasia, que será empossado pela manhã na Assembleia Legislativa. Até o momento, Aécio não admite outra hipótese que não seja concorrer ao Senado e tem demonstrado que sua prioridade é mesmo fazer o sucessor e manter o controle sobre o Estado, o segundo maior colégio eleitoral do País. O mineiro, porém, ainda é cotado como possível candidato a vice numa chapa puro-sangue encabeçada pelo virtual presidenciável do PSDB, o governador de São Paulo, José Serra.

 

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Contra as pressões, Aécio tem argumentado que pode fazer mais pela aliança oposicionista concentrando seus esforços em Minas, onde enfrentará uma verdadeira "frente" de líderes políticos alinhados com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta terça-feira, 30, ele revelou que está subsidiando Serra com informações para que o pré-candidato tucano formule uma proposta para Minas Gerais. O assunto foi discutido na semana passada, quando Aécio recebeu a visita de Serra.

 

"Acho que com o nosso apoio, ele poderá ter um bom resultado aqui em Minas", afirmou. "Sou um homem de partido, mas para que ele possa ter uma sintonia cada vez maior com Minas Gerais é importante que ele interprete o sentimento de Minas Gerais".

 

No cenário estadual, Aécio não tem medido esforços em favor de seu candidato, mais reconhecido pelos conhecimentos de gestão pública do que pelos dotes políticos. A estratégia é insistir no discurso da continuidade. "Os mineiros compreendem que hoje há um projeto em curso, um projeto acontecendo e que, acredito, não deva ser interrompido".

 

Imbróglio

 

No campo Lulista, o pré-candidato ainda não foi escolhido. O PT ainda irá definir entre o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, o nome do partido que disputará a indicação com ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB). Patrus e Costa anunciaram que irão se desincompatibilizar dos cargos.

 

Após Lula cobrar o entendimento por um palanque único no Estado para a ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e dar sinais de que preferiria um acordo em favor de Costa, os petistas iniciaram uma aproximação. A intenção do PT-MG é empurrar para maio ou junho a definição do candidato da base aliada, por meio de pesquisas quantitativas e qualitativas.

 

"Vencido esse capítulo (da divergência interna) começa uma nova etapa que é o diálogo com a base aliada, especialmente, com o PMDB. Queremos seguir a orientação do presidente Lula e construirmos um palanque único. Mas isso depende de uma longa negociação", disse Pimentel.

 

Os pré-candidatos da base aliada possuem a opção da disputa pelo Senado, que além de Aécio, também tem como pré-candidato o ex-presidente Itamar Franco (PPS).

 

Sempre vista com desconfiança, a possibilidade de o vice-presidente da República, José Alencar (PRB), se lançar na disputa perdeu força. Alencar tem ressaltado que é um "soldado" de Lula e não será obstáculo para um acordo entre PT e PMDB em Minas.

 

Santuário

 

Embora os petistas já ensaiem críticas ao atual governo, o ex-prefeito acompanhou nesta terça-feira, 30, Aécio - de quem foi aliado em 2008 - durante a abertura de pistas de uma avenida ainda em obras na capital. Depois, o governador repetiu o gesto de quando assumiu, em 2003, e visitou o Santuário Nossa Senhora da Piedade, em Caeté. Na tarde desta quarta-feira, 31, ele transmite o cargo da sacada do Palácio da Liberdade.

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