André Lucas Almeida|Estadão
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Aécio defende que Calero seja investigado por gravar conversa com Temer

Para o tucano, o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero pode ter 'induzido' palavras do presidente no diálogo

Idiana Tomazelli e Erich Decat, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2016 | 11h26

BRASÍLIA – O senador Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu na manhã desta sexta-feira, 25, que o ex-ministro da Cultura Marcelo Calero seja investigado por supostamente gravar uma conversa com o presidente Michel Temer. Para o tucano, Calero pode ter “induzido” palavras de Temer no diálogo, no qual o ex-titular da Cultura diz ter sido “enquadrado” pelo presidente e pressionado a agir em favor do agora ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima.

“Há algo aí extremamente grave e que também tem que ser investigado: o fato de um servidor público, um homem até aquele instante da confiança do presidente da República, com cargo de ministro de Estado, entrar com gravador para gravar o presidente da República. Isso é inaceitável, isso é inédito na história republicana do Brasil”, disse Aécio ao chegar para Congresso de prefeitos eleitos do PSDB.

“Isso permite a todos nós que possa achar que (Calero) possa ter induzido palavras do presidente da República, e isso tem que ser investigado, porque me parece também um ato passível de punição”, acrescentou o senador.

No último sábado, Calero disse à Polícia Federal que Temer teria feito pressão para que o ex-ministro da Cultura resolvesse o “impasse” relacionado à construção de empreendimento em Salvador, no qual Geddel tinha uma unidade. O Instituto de Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) embargou a obra, mas Temer teria dito para Calero enviar o processo à Advocacia-Geral da União (AGU), que teria uma solução para o caso – o diálogo teria sido gravado pelo ex-ministro. O depoimento foi revelado ontem, ampliando a crise no Palácio do Planalto.

O tucano disse que alguém só pode gravar uma conversa “quando está sendo acusado (e agir) em sua própria defesa”, o que não era o caso, em sua avaliação. “Não havia acusação nenhuma em relação ao ministro e não me parece ter havido qualquer crime por parte do presidente da República”, disse.

Aécio, no entanto, evitou fazer avaliações sobre se o presidente deveria ou não demitir Geddel – a notícia da carta de demissão ainda não havia sido divulgada. “Essa é decisão exclusiva do presidente da República. O que posso dizer é que, do ponto de vista de suas atribuições junto ao Congresso Nacional, nas articulações políticas do governo, ministro Geddel vem fazendo com enorme eficiência. Caberá ao presidente da República tomar a decisão que for melhor para ao governo”, disse.

“Quanto aos desdobramentos desse caso, caberá ao presidente da República tomar decisões que achar mais adequadas. Mas nem de longe, na minha avaliação, do PSDB, esse episódio atinge o presidente Michel Temer”, acrescentou o senador.

Aécio ainda criticou as manifestações da oposição pedindo o impeachment de Temer. “Os membros do PT são alguns fantasmas que caminham em busca de uma causa”, disse. “A causa do PT é inviabilizar as medidas que vão nos tirar da crise na qual eles nos mergulharam.”

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